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08/05/2021 às 18h46min - Atualizada em 08/05/2021 às 17h56min

QUAL A IMPORTÃNCIA DA MÃE?

Tão essencial no desenvolvimento do bebê.

Marcelo Moya
 
Em 9 de maio de 1905 na cidade de Webster (Estados Unidos), uma professora chamada Ana Jarvis perdeu sua mãe. Dois anos depois os moradores decidiram promover uma homenagem para a mãe desta professora por tudo o que ela dedicara à comunidade. No ano seguinte ainda no segundo domingo de maio, realizou-se pela primeira vez uma celebração pública com o mesmo objetivo.
 
E foi nessa ocasião que Ana sugeriu que a homenagem se estendesse a todas as mães falecidas, ideia que foi logo aceita. E a partir desta inspiração de Ana que nasceu o Dia das Mães, que passaria a ser comemorado todo ano. Esta iniciativa chegou ao Brasil através pela ACM – Associação Cristã de Moços, e a data foi instituída pelo então presidente na época Getúlio Vargas.
 
Mas afinal, qual a importância da figura materna, principalmente nos primeiros meses de vida de uma criança? Este bebê ao nascer ainda é um ser muito frágil, desprotegido e, portanto, irá precisar contar com total apoio para sua sobrevivência, como cuidados físicos, alimentação, asseio, aquecimento, e principalmente afeto e ternura de todos ao seu redor, mas principalmente de sua mãe.
 
E a pessoa responsável por tudo isso é a figura materna. Teorias psicanalíticas apontam que da gestação às primeiras semanas após o parto, desperta-se nessa mãe uma grande sensibilidade psíquica em relação ao seu bebê, um estágio de comunicação inconsciente entre eles. É por isso que as primeiras relações do par mãe e bebê são intensas e irão se constituir como base de seu desenvolvimento e constituição psíquica.

O pediatra e psicanalista britânico Donald Winnicott (1896-1971) afirmara que, “o primeiro espelho da criatura humana é o rosto da mãe: a sua expressão, seu olhar, sua voz. É como se o bebê pensasse: olho e sou visto, logo, existo.” Portanto, a dupla mãe-bebê se torna uma parceria imprescindível também na interação social desta criança com o mundo.

 
... dentre as funções básicas, sustentação, manejo e adaptação ...
 
Havendo falhas neste processo, poderá ocasionar no surgimento de patologias psíquicas, pois da mãe depende a provisão de condições que ajudem a conter na criança sentimentos conflitantes e rudimentares, a fim de conduzí-la na transição de sua autonomia, confiança e criatividade. E assim o bebê vai adquirindo a noção de corpo e de adaptação à sua realidade externa.
 
São pelo menos três as funções básicas. A primeira é a de sustentação, um conjunto de ações desta mãe para apoiar essa criança, tais como amamentação, cuidados com a higiene, temperatura. O segundo é o manejo, ou seja, como a mãe lida com seu bebê no dia-a-dia, a forma como segura, toca e ela olha para ele, são elementares. E por fim, a adaptação, pois da ajuda da mãe depende o gradativo processo de independência, autonomia e segurança da criança.

Toda mãe também precisa estar emocionalmente preparada, não apenas para poder suportar os obstáculos, inevitáveis da própria maternidade, mas também para acolher os primeiros sentimentos que predominam nas fases iniciais do infante. Neste caso, a mãe é como espelho emocional do filho e portanto também necessita do suporte do/a parceiro/a, da família e se necessário, de apoio especializado para conseguir lidar e conter suas próprias demandas emocionais.

 
Os meses iniciais de todo bebê são fundamentais. E qualquer sinal de fracasso poderá acarretar distúrbios, tendências antissociais, agressividade e delinquência. É por isso que situações de privação e desamparo no bebê podem ser drásticos por toda vida. A figura maternal que reúna condições suficientemente boas poderá ser capaz de sentir, de perceber e de acolher todas as necessidades desse bebê, evitando que ela cresça relativamente frágil, vulnerável, emocional e socialmente instável.
 
Todas as mamães enfrentam nesta vocação um grande desafio. Uma experiência que envolve tantos mistérios, medos, incertezas e transformações, mas também de gratidão por se tratar de um dos momentos mais sublimes da natureza humana. Viva a maternidade. “Ele, pequenino, precisa de ti. Não o desligues da tua força maternal.” (Cora Coralina).

Feliz Dia das Mães!

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Marcelo Moya é psicanalista e filho da Sílvia.
www.marcelomoya.com.br


 

 
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Marcelo Moya

Marcelo Moya

Psicanalista, membro do Instituto Ékatus da Escola Paulista de Psicanálise.

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