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09/09/2021 às 21h42min - Atualizada em 10/09/2021 às 00h00min

Barroso rebate ataques de Bolsonaro à Justiça Eleitoral

'A democracia só não tem lugar para quem pretenda destruí-la', disse o presidente do TSE. Luís Roberto Barroso afirmou que é cansativo fazer tantos desmentidos, mas que é necessário para que 'a repetição da mentira não crie a impressão de que ela se tornou verdade'.

G1
https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2021/09/09/barroso-rebate-ataques-de-bolsonaro-a-justica-eleitoral.ghtml
‘A democracia só não tem lugar para quem pretenda destruí-la’, disse o presidente do TSE. Luís Roberto Barroso afirmou que é cansativo fazer tantos desmentidos, mas que é necessário para que ‘a repetição da mentira não crie a impressão de que ela se tornou verdade’. Barroso rebate ataques de Bolsonaro à Justiça Eleitoral
O presidente Jair Bolsonaro recuou nesta quinta-feira (9) do tom golpista com que defendeu atitudes antidemocráticas e inconstitucionais no 7 de setembro. Numa mensagem dirigida aos brasileiros, o presidente afirmou que suas palavras contundentes decorreram do calor do momento.
Sem citar o xingamento e a ameaça direta que fez na terça-feira (7) ao ministro do STF Alexandre de Moraes, o presidente afirmou que nunca teve a intenção de agredir quaisquer dos Poderes. E se referiu a divergências naturais de algumas decisões do ministro Moraes, que chamou nesta quinta respeitosamente de jurista e professor. O recuo do presidente se deu depois de reações enfáticas que recebeu de autoridades do Parlamento e do Judiciário, que chegaram a ver no discurso dele o cometimento de crime de responsabilidade, passível inclusive de processo de impeachment. Num dia em que o país recebeu a notícia da maior inflação dos últimos 21 anos para um mês de agosto, as palavras desta quinta do presidente tiveram efeito positivo não só para baixar a temperatura da crise institucional provocada por ele, mas também para os valores da moeda nacional e das ações das empresas na bolsa.
Horas antes de o Planalto divulgar a mensagem do presidente, outro alvo frequente dele reagiu de forma dura e incisiva aos ataques feitos por Bolsonaro à Justiça Eleitoral na terça-feira. O ministro do STF e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Luís Roberto Barroso, começou seu pronunciamento na abertura da sessão do TSE lamentando a necessidade de voltar a fazer desmentidos.
“Já começa a ficar cansativo no Brasil ter que repetidamente desmentir falsidades para que não sejamos dominados pela pós-verdade, pelos fatos alternativos para que a repetição da mentira não crie a impressão de que ela se tornou verdade. É muito triste o ponto a que chegamos”, disse.
Em seguida, Luís Roberto Barroso traçou um panorama de nações em que a democracia vive momento delicado. Explicou que em todas elas a erosão dos valores democráticos não se deu por um golpe de estado sob armas de militares, mas por ação de presidentes ou primeiros-ministros que depois de eleitos atacaram paulatinamente os pilares da democracia. Ele descreveu como o populismo, o autoritarismo e o extremismo ameaçam o regime democrático. E numa troca de palavras, inverteu o sentido de um versículo bíblico muito repetido por Bolsonaro adotado como slogan por Bolsonaro, aquele em que o apóstolo João afirma: ‘Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”.
“De fato, o voto é elemento essencial da democracia representativa.
Outro elemento fundamental é o debate público permanente e de qualidade, que permite que todos os cidadãos recebam informações corretas, formem sua opinião e apresentem livremente seus argumentos. Quando esse debate é contaminado por discursos de ódio, campanhas de desinformação e teorias conspiratórias infundadas, a democracia é aviltada. O slogan para o momento brasileiro, ao contrário do propalado, parece ser: ‘conhecerás a mentira, e a mentira te aprisionará’”, afirmou.
O presidente do TSE desmentiu uma a uma as declarações de Jair Bolsonaro sobre o sistema eleitoral. Repetiu que as urnas eletrônicas são seguras, que não há possibilidade de fraude e que há dez camadas de auditoria no sistema. Barroso afirmou que as dúvidas sobre a segurança do sistema de votação foram criadas artificialmente pelo presidente da República, que Bolsonaro faz uma retórica vazia e sem provas; e que as pessoas de bem sabem quem é o farsante nessa história.
“Depois de quase três anos de campanha diuturna e insidiosa contra as urnas eletrônicas por parte de ninguém menos que o presidente da República, uma minoria de eleitores passou a ter dúvidas sobre a segurança do processo eleitoral. Dúvida criada artificialmente por uma máquina governamental de propaganda.
Assim que pararem de circular as mentiras, as dúvidas se dissiparão. O presidente da República repetiu incessantemente que teria havido fraude na eleição na qual ele se elegeu. Disse eu então à época que ele tinha o dever moral de apresentar as provas. Não apresentou. Continuou a repetir a acusação falsa e prometeu apresentar as provas novamente. Após uma live que deverá figurar em qualquer antologia de eventos bizarros, foi intimido pelo TSE para cumprir o dever jurídico de apresentar as provas se as tivesse. Não apresentou. É tudo retórica vazia contra pessoas que trabalham sério e com amor ao Brasil. Como somos todos nós aqui. Retórica vazia. Política de palanque. Hoje em dia, salvo os fanáticos que são cegos pelo radicalismo, e os mercenários, que são cegos pela monetização da mentira, todas as pessoas de bem sabem que não houve fraude e quem é o farsante nessa história”, disse.
Barroso lembrou que foi o Congresso Nacional que decidiu não adotar o voto impresso e que atacar a Justiça Eleitoral por falta de coragem de atacar o Congresso Nacional é uma covardia.
“Foi o Congresso Nacional, não o TSE, quem recusou o voto impresso, e aliás fez muito bem. O presidente da Câmara afirmou que após a votação da proposta o assunto estaria encerrado. Cumpriu a palavra. O presidente do Senado afirmou que após a votação da proposta, o assunto estaria encerrado. Cumpriu a palavra. O presidente da República, como ontem lembrou o presidente da Câmara, afirmou que após a votação da proposta o assunto estaria encerrado. Não cumpriu a palavra. Seja como for, é uma covardia atacar a Justiça Eleitoral por falta de coragem de atacar o Congresso Nacional, que é quem decide a matéria”, afirmou.
Barroso concluiu seu pronunciamento lamentando a falta de compostura do presidente Bolsonaro e o desprestígio atual do Brasil perante o mundo, e afirmou que a democracia tem lugar para todos, menos para quem quer destruí-la.
“Insulto não é argumento. Ofensa não é coragem. A incivilidade é uma derrota do espirito. A falta de compostura nos envergonha perante o mundo. A marca Brasil sofre nesse momento, triste dizer isso, uma desvalorização global, não é só o real que está desvalorizando. Somos vítimas de chacota e de desprezo mundial. Um desprestígio maior do que a inflação, do que o desemprego, do que a queda de renda, do que alta do dólar, do que a queda da bolsa, do que o desmatamento da Amazônia, do que o número de mortos pela pandemia, do que a fuga de cérebros e de investimentos. Mas pior que tudo. A falta de compostura nos diminui perante nós mesmos. Não podemos permitir a destruição das instituições para encobrir o fracasso econômico, social e moral que estamos vivendo. A democracia tem lugar para conservadores, liberais e progressistas. O que nos une na diferença é o respeito à Constituição, aos valores comuns que compartilhamos e que estão nela inscritos. A democracia só não tem lugar para quem pretenda destruí-la. Com a bênção de Deus, Deus da verdade, do bem, do amor, do respeito ao próximo, com a bênção de Deus e a proteção das instituições, um presidente eleito democraticamente pelo voto popular tomará posse no dia 1º de janeiro de 2023. Assim será”, disse.

Fonte: https://g1.globo.com/jornal-nacional/noticia/2021/09/09/barroso-rebate-ataques-de-bolsonaro-a-justica-eleitoral.ghtml
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