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12/11/2021 às 16h02min - Atualizada em 14/11/2021 às 01h20min

Fundos de investimento miram setor de “death care” no Brasil

Setor funerário e o chamado “mercado do luto” movimentam cerca de R$ 3 bilhões por ano e atraem investimento de fundos de private equity; empresário do ramo comenta possíveis benefícios gerados por investimentos na área

DINO
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A alta mortandade ocasionada pela pandemia de Covid-19 no Brasil, cujos números mais recentes já apontam para a soma de 610 mil óbitos compilados desde março de 2020, tem movimentado o “mercado do luto”, que reúne serviços de funerárias, cemitérios, crematórios e planos funerários. Também chamado de “death care” (“cuidado com a morte”, em tradução livre), o setor fatura cerca de R$ 3 bilhões por ano, segundo a Abradife (Associação Brasileira de Empresas e Diretores do Setor Funerário) e, recentemente, passou a atrair a atenção de fundos de private equity no país.

Companhias que se dedicam à compra de participação em empresas, os fundos de private equity, juntamente com as empresas de venture capital - que miram negócios ainda em fase de desenvolvimento -, investiram R$ 10,7 bilhões no Brasil apenas no primeiro trimestre deste ano, de acordo com dados da ABVCAP (Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital) e da consultoria KPMG - trata-se de uma alta de 88% em relação ao primeiro trimestre de 2020. O investimento médio por empresa, no âmbito dos fundos de private equity, segundo o mesmo estudo, ademais, foi de R$ 277 milhões.

Em âmbito global, a movimentação no mercado de private equity - somando a captação dos fundos, os negócios fechados e os desinvestimentos - deve chegar à cifra recorde de US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5,4 trilhões), segundo levantamento da consultoria Bain & Company.

Em julho deste ano, a gestora de private equity Crescera, após ter realizado um investimento inicial de R$ 150 milhões, fez um novo aporte, de R$ 200 milhões, no Grupo Zelo, uma das maiores empresas de cemitério do país que, atualmente, está estabelecida em oitos estados, além do Distrito Federal. Outro exemplo recente de atração de empresas do mercado do luto a investidores se deu com o Grupo Cortel, que passou a contar, após a eclosão da atual pandemia, com investimentos do fundo Brazilian Graveyard.

Investimento pode trazer melhores oportunidades a empreendedores do setor

A taxa de mortalidade de um país e a consequente demanda por serviços funerários, historicamente, tem poucas variações de um ano para o outro, sendo a estabilidade e a certeza da demanda de serviços alguns fatores característicos do mercado do luto. Com a atual pandemia, porém, o Brasil atingiu um recorde histórico de óbitos em 2020 e uma taxa anual de crescimento de mortes quatro vezes maior do que a série histórica: no total, de acordo com a Arpen (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais), 1,4 milhão de pessoas morreram no último ano no país, representando um aumento de 8,6% se comparado a 2019. 

No primeiro semestre deste ano, quando a pandemia ainda não havia refluído devido à vacinação em massa contra o coronavírus Sars-Cov-2, outros 927.568 registros de óbito foram feitos em cartórios de todo o país - deste total, 314.036 (cerca de 33%) foram ocasionados por Covid-19. 

Em decorrência deste aumento no número de mortes no Brasil, uma maior demanda da população por serviços de sepultamento e suporte técnico impactou diretamente o setor de “death care”. Para Claudio de Luna, CEO da Luna Assist, grupo de empresas do ramo funerário, a melhoria na qualidade de atendimento e na oferta dos serviços faz com que existam planos funerários cada vez mais caros, o que tem propiciado maiores margens de lucro para empresários do ramo e, consequentemente, atraído investidores.

“Trata-se de um mercado que não existe ‘crise’, sempre haverá demanda e estabilidade para quem tiver interesse em investir no ramo. É um investimento certo, sem grandes riscos”, afirma Luna, ressaltando que a tendência para os grandes conglomerados do setor funerário é a abertura aos investimentos de fundos de private equity. 

Uma maior inversão de capitais em um setor que, para o executivo, foi historicamente desvalorizado, pode resultar em melhorias estruturais para o setor, com mais tecnologia e profissionais mais capacitados e melhor remunerados. 

“Investimento é sempre algo positivo, podendo trazer mais mão de obra especializada e melhores oportunidades para pequenos e médios empreendedores do setor”, afirma.

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