MENU

16/11/2021 às 22h50min - Atualizada em 17/11/2021 às 00h00min

Júri condena cozinheiro por matar cabeleireiro em 2018 em SP, mas não considera que crime foi motivado por homofobia

Julgamento ocorreu nesta terça (16) no Fórum da Barra Funda. Fuvio Matos recebeu pena de 10 anos de prisão em regime semiaberto por matar Plínio Lima com canivete após discussão perto da Avenida Paulista. Ministério Público e advogado da vítima discordam da decisão dos jurados.

G1
https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/11/16/cozinheiro-e-condenado-por-usar-canivete-para-matar-cabeleireiro-por-homofobia-em-2018-em-sp.ghtml

Julgamento ocorreu nesta terça (16) no Fórum da Barra Funda. Fuvio Matos recebeu pena de 10 anos de prisão em regime semiaberto por matar Plínio Lima com canivete após discussão perto da Avenida Paulista. Ministério Público e advogado da vítima discordam da decisão dos jurados. Cozinheiro Fuvio Matos é acusado de usar um canivete para matar cabeleireiro Plínio Lima em 2018 em São Paulo
Reprodução/Polícia Civil e Arquivo Pessoal
A Justiça de São Paulo condenou nesta terça-feira (16) o cozinheiro Fuvio Rodrigues de Matos a 10 anos de prisão em regime semiaberto por usar um canivete para matar o cabeleireiro Plínio Henrique de Almeida Lima na noite de 21 de dezembro de 2018.
A informação foi confirmada ao g1 pela assessoria de imprensa do Tribunal de Justiça (TJ). Cabe recurso da decisão do júri popular realizado no Fórum da Barra Funda, Zona Oeste da capital paulista.
Câmeras de segurança chegaram a gravar a discussão entre o réu e a vítima, além da fuga do acusado à época (veja vídeo abaixo). Ele foi detido depois.
Segundo o Ministério Público (MP), o crime foi motivado por homofobia, mas os jurados não consideraram que o assassinato foi por isso. Afastando desse modo a qualificadora por motivo torpe do homicídio, o que aumentaria a pena do réu. No entendimento deles, o réu matou a vítima após uma discussão (saiba mais nesta reportagem). Angelo Carbone, advogado que defendeu os interesses da família de Plínio e atuou como assistente da acusação no processo, informou à reportagem que irá recorrer da decisão do júri.
Fuvio sempre negou as acusações de que foi homofóbico, alegando que usou a arma contra Plínio para se defender dele após uma briga.
Segundo a acusação, o crime aconteceu no cruzamento das avenidas Paulista e Brigadeiro Luiz Antônio, no Centro da capital paulista. Plínio era gay e tinha 30 anos. Fuvio, de 34 anos, continuará preso para cumprir a pena.
Polícia de SP usa imagens de câmera de segurança em investigação de crime de homofobia
O julgamento presencial de Fuvio começou por volta das 14h e terminou depois das 23h. Cinco mulheres e dois homens compuseram o júri popular. Eles votaram e, por maioria, consideraram o cozinheiro culpado pelo assassinato do cabeleireiro, mas entenderam que a motivação do crime não foi por homofobia.
Coube ao juiz Luis Gustavo Esteves Ferreira, que conduziu o julgamento, a aplicação da sentença com a pena.
"Os jurados entenderam que o que motivou o crime não foi um ato homofóbico. Para mim essa é uma decisão contrária as provas dos autos. No processo havia sim provas de que foi um ato homofóbico. Mas os jurados entenderam dessa maneira e condenaram ele sem a presença da qualificadora", afirmou ao g1 a promotora Renata Cristina de Oliveira Mayer, que ainda analisará se irá recorrer ou não da sentença.
"Infelizmente os jurados entenderam que xingar uma pessoa de 'bichinha', 'menina' não configura um ato de homofobia", lamentou a promotora.
O julgamento já deveria ter ocorrido no último dia 1º de setembro, depois em 5 de maio, 22 de fevereiro e por último 27 de outubro deste ano. Mas foi adiado nessas quatro ocasiões anteriores pela juíza Marcela Raia de Sant’Anna.
Entre os motivos para os adiamentos estavam: pedidos da defesa do acusado para ouvir testemunhas que não haviam comparecido antes; o fato de os fóruns estarem funcionando remotamente em virtude da pandemia; a suspeita de que um membro da defesa do réu estivesse com Covid; e a ausência do número mínimo legal de jurados para a realização do sorteio do conselho de sentença.
O crime
Plínio Henrique de Almeida Lima foi morto na Paulista
Arquivo Pessoal
Segundo a denúncia feita pelo Ministério Público, quando cometeu o crime, Fuvio estava com o amigo Jamerson Matos dos Santos, que também chegou a ser preso e denunciado junto com o cozinheiro. Os dois foram acusados por homicídio doloso qualificado por motivo torpe. Ambos fugiram depois do assassinato do cabeleireiro.
Plinio estava com o marido, Anderson de Souza Lima, e um casal amigo, também homossexual, quando se desentenderam com Fuvio e Jamerson. O cozinheiro e o colega são acusados de ofender o cabeleireiro e seus amigos, chamando-os de “seus bichinhas” e falando que “gays têm que morrer”. O motivo, segundo o MP, foi o fato de os agressores verem as vítimas caminhando de mãos dadas.
"Para mim é difícil, muito difícil, porque o Plínio era tudo para mim. Mas o que a gente quer mesmo é justiça. E espero que seja feita. Espero, não, vai ser feita", disse Anderson ao G1 em 2018.
Preso suspeito de esfaquear e matar um homossexual na Avenida Paulista
Câmeras de segurança não gravaram as agressões, mas registraram parte da discussão e ajudaram a identificar e prender Fuvio e, depois, Jamerson, ainda em 2018 (veja acima).
À época, Fuvio alegou à polícia que usou o canivete para se defender de Plínio e dos amigos dele após uma discussão seguida de briga. O cozinheiro negou ainda que a motivação da discussão tenha sido homofóbica.
Em 2020, Jamerson foi absolvido sumariamente pela Justiça da acusação de participar do assassinato. Desse modo, ele nem chegou a ser levado a julgamento. O entendimento foi o de que o amigo não agrediu ninguém.
O que diz o réu
Fúvio Matos confessou ter golpeado cabeleireiro com canivete
Reprodução/TV Globo
O cozinheiro alegou à polícia que usou o canivete para se defender do grupo. Segundo Fuvio, a confusão teve início depois que ele falou para Jamerson “corra que nem homem” quando começou a chover.
Ainda segundo Fuvio, Plínio e os amigos acharam que a declaração tinha sido dita a eles, que foram tirar satisfações.
“Nesse momento, uns quatro rapazes passavam por mim e um deles, esse com o qual eu briguei, logo depois me disse: ‘Você está falando comigo?'”, contou Fúvio.
“Eu continuei andando e, nesse momento, eles me cercaram, uns três ou quatro, e um deles rasgou uma lata, começou a chegar bem perto de mim, então eu levantei a mão e passei no peito dele, passando um canivete que eu levava na bolsa”, falou o cozinheiro, que fugiu depois com Jamerson.
O g1 não conseguiu localizar as defesas de Fuvio e de Jamerson para comentarem o assunto até a última atualização desta reportagem. A Defensoria Pública defende o acusado de matar Plínio.
Foto tirada em dezembro de 2018 mostra homenagem perto do local onde cabeleireiro Plínio Lima foi morto em São Paulo
Divulgação/Agripino Magalhães
Vídeos: Tudo sobre São Paulo e região metropolitana

Fonte: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2021/11/16/cozinheiro-e-condenado-por-usar-canivete-para-matar-cabeleireiro-por-homofobia-em-2018-em-sp.ghtml
Link
Notícias Relacionadas »
Comentários »
Fale pelo Whatsapp
Atendimento
Precisa de ajuda? fale conosco pelo Whatsapp