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08/12/2021 às 18h41min - Atualizada em 08/12/2021 às 21h33min

Banco Central eleva os juros a 9,25%, e Selic alcança o maior patamar desde 2017

Copom faz a sétima elevação seguida e a segunda de 1,5 ponto percentual em meio à tentativa de segurar a escalada da inflação; mercado projeta novos aumentos e taxa a 11,25% no próximo ano

Jovem Pan
https://jovempan.com.br/noticias/economia/banco-central-eleva-os-juros-a-925-e-selic-alcanca-o-maior-patamar-desde-2017.html

Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) voltou a subir, nesta quarta-feira, 8, a taxa básica de juros da economia brasileira, passando a Selic de 7,75% para 9,25% ao ano. A segunda alta seguida de 1,5 ponto percentual já era esperada pelos analistas em meio à deterioração das projeções para a inflação de 2022 — para este ano, o BC já abandonou qualquer perspectiva de cumprir com a meta. O movimento deixa a Selic no patamar mais elevado desde maio de 2017, quando foi a 10,25% ao ano. Esta foi a sétima alta consecutiva da taxa, que em janeiro estava em 2% ao ano, o menor nível da história. Desde março, o colegiado injetou 7,25 pontos percentuais na taxa de juros, a maior escalada em quase 20 anos. O novo ciclo de alta deve se estender para 2022, segundo as previsões do Boletim Focus, a pesquisa semanal do BC com mais de uma centena de bancos, casas de análise e outras instituições. O mercado estima que o Copom eleve a Selic a 11,25% ao fim do primeiro trimestre e a estabilize nesse patamar até a virada do ano. Para 2023, os analistas estimam o início de uma nova temporada de cortes, trazendo os juros para 8%, enquanto para 2024 a taxa deve ser reduzida para 7% ao ano. A aceleração dos juros deve impactar negativamente na recuperação da economia no ano que vem por encarecer a tomada de crédito e impactar na redução dos investimentos. O colegiado se reúne a cada 45 dias. O primeiro encontro do Copom para 2022 está marcado para 1º e 2 de fevereiro.

Em nota, o Copom afirmou que deve fazer novo ajuste com a mesma magnitude de 1,5 ponto percentual na próxima reunião, elevando a Selic para 10,75% ao ano. “O Copom considera que, diante do aumento de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário avance significativamente em território contracionista. O Comitê irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”, publicou. A decisão de elevar a taxa para 9,25% ao ano foi unânime. “O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para as metas ao longo do horizonte relevante, que inclui os anos-calendário de 2022 e 2023. Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.”

O colegiado indicou que o ambiente externo tornou as condições financeiras mais desafiadoras para as economias emergentes com bancos centrais expressando a necessidade de cautela diante da persistência das pressões inflacionárias. O Copom também citou os temores gerados pela variante Ômicron do novo coronavírus. “A possibilidade de nova onda da Covid-19 durante o inverno e o aparecimento da variante Ômicron adicionam incerteza quanto ao ritmo de recuperação nas economias centrais”, informou. O colegiado do BC ainda afirmou que indicadores da atividade econômica brasileira “mostram novamente uma evolução moderadamente abaixo da esperada”. As atividades econômicas do país caíram 0,1% no terceiro trimestre na comparação com os três meses imediatamente anteriores, segundo dados divulgados na quinta-feira, 2, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado, o segundo negativo após a queda de 0,4% no segundo trimestre. O BC ainda reforçou que a inflação se mantém elevada em diversos campos. “A alta dos preços foi acima da esperada, tanto nos componentes mais voláteis como também nos itens associados à inflação subjacente”, informou.

O que pressiona a inflação

Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi a 10,73% no acumulado de 12 meses na prévia de novembro — o último dado antes da reunião do Copom. Em outubro, a análise completa mais recente, o IPCA foi a 10,67% em 12 meses, mantendo o indicador acima de dois dígitos na trajetória iniciada no mês anterior. Este foi o resultado mais expressivo para o período desde janeiro de 2016. A aceleração da inflação é puxada principalmente pela variação de preços administrados, como a energia elétrica e os combustíveis, em meio ao quadro de forte desvalorização do real ante o dólar, alta no preço das commodities e os rescaldos da crise hídrica. A degradação das expectativas para a inflação é renovada semanalmente pelo mercado financeiro. A mediana da pesquisa feita pelo BC mostra que a perspectiva para o IPCA foi a 10,18% ao fim deste ano. Em 2021, a autoridade monetária persegue a meta inflacionária de 3,75%, com margem de 1,50 ponto percentual para cima ou para baixo, ou seja, entre 2,25% e 5,25%. O aumento da pressão inflacionária deste ano contamina as expectativas para 2022. Segundo o Focus, o IPCA deve encerrar o ano que vem com alta de 5,02%, já acima do teto da meta de 5%, com centro de 3,50% e piso de 2%. A contaminação das expectativas para 2022 acendeu um alerta, e, em diversas oportunidades, o presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, afirmou que a entidade vai levar a Selic até onde for necessário para fazer cumprir a meta. “A expectativa de inflação começa a ver 2022 com uma desancoragem inicial parecida com 2017. O Banco Central entende que é muito importante atuar nessa desancoragem”, disse em um evento com empresários da construção civil no fim do mês passado.

IPCA 12 meses encerrados em out

IPCA 12 meses encerrados em out

O aperto da política monetária vai impactar na desaceleração das atividades econômicas em 2021 e 2022. Em paralelo ao aumento das estimativas para a inflação e os juros, o mercado financeiro cortou gradativamente a projeção para o Produto Interno Bruto (PIB). Para este ano, a perspectiva é alta de 4,71%, enquanto para 2022 a mediana ficou em 0,51% —  opiniões mais pessimistas indicam até desempenho negativo da atividade econômica. As previsões são contestadas pelo governo federal. O Ministério da Economia estima que o PIB deste ano encerre com avanço de 5,1%, e prevê alta de 2,1% em 2022. Constantemente, o chefe da equipe econômica, Paulo Guedes, critica as perspectivas pessimistas para a atividade econômica, apesar de reconhecer que a alta da Selic vai prejudicar o desenvolvimento do país. Em um evento com empresários nesta terça-feira, 7, Guedes justificou a visão mais otimista como resposta ao “ceticismo” de adversários políticos que saíram derrotados nas últimas eleições. “Temos que reagir a isso, e não com ufanismo. Reagimos dizendo: ‘olha, a inflação está subindo, é um problema no mundo inteiro. O Banco Central está subindo os juros, isso desacelera o crescimento, mas não causa recessão’”, afirmou.



Fonte: https://jovempan.com.br/noticias/economia/banco-central-eleva-os-juros-a-925-e-selic-alcanca-o-maior-patamar-desde-2017.html
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