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29/07/2020 às 11h41min - Atualizada em 29/07/2020 às 11h41min

​Empresário quer mobilização para salvar ramal ferroviário abandonado

Trecho da malha ferroviária entre Jacarezinho e Jaguariaíva está desaparecendo

Tribuna do Vale
Divulgação
A malha ferroviária ligando os estados de São Paulo e Paraná (divisa entre Ourinhos e Jacarezinho) com dois ramais, o primeiro sentido Londrina e, o segundo, ligando esta região à Jaguariaíva (Campos Gerais) há muito deixou de ser prioridade para os governos, que via de regra, abandonaram completamente este patrimônio.

O traçado ligando a divisa de Ourinhos até Maringá ainda continua funcionando, mas no trecho entre Jacarezinho e Jaguariaíva, o abandono é absoluto. Um patrimônio da região e de toda a população brasileira, se perde no tempo, sendo que, em vários pontos, nem os trilhos sobreviveram, vandalizados e roubados.

O Ministério Público Federal (MPF), há alguns anos, tentou reverter este quadro de destruição desse patrimônio, ingressando com ação contra a Rumo Logística, concessionária que explora o trecho, mas poucos avanços acabaram efetivamente ocorrendo.

Algumas estações, responsáveis pelo desenvolvimento de várias cidades, foram restauradas, como a de Joaquim Távora, que se transformou em um museu histórico da comunidade. A maioria, porém, continua abandonada.

Recuperação

O empresário jacarezinhense Marcelo Palhares, que atua na área educacional e financeira, é um inconformado com esta situação e quer ampla mobilização regional pela recuperação da malha ferroviária entre a divisa de Ourinhos e Jacarezinho, até Jaguariaíva, num traçado de cerca de 200 quilômetros. Ele considera um absurdo o silêncio das lideranças regionais que se mantêm silenciosos enquanto um patrimônio inestimável se perde no abandono.

Entrevista que concedeu no último fim de semana, Palhares informa que vai procurar o Ministério Público Federal, com sede em Jacarezinho, para tomar conhecimento da situação jurídica deste caso, já que a Procuradoria da República já ingressou com ação contra concessionária que tem a concessão da ferrovia. “Não podemos nos silenciar diante de um crime que lesa a sociedade regional. Enquanto tantas regiões lutam, para ter uma ferrovia para escoamento de sua produção agrícola e industrial, estamos permitindo a destruição de um instrumento fundamental o nosso sonhado desenvolvimento econômico e social”, assinala.    

Marcelo Palhares observa que a inoperância do trecho da malha ferroviária da região obriga as empresas a procurar o transporte rodoviário, que é mais caro. O empresário lembra que o abandono da ferrovia se acentuou depois que o Governo Federal passou a concessão da antiga Rede Ferroviária Federal para empresas privadas, que abandonaram trechos menos rentáveis.

Palhares observa que, segundo estudos recentes, pelo menos 20% dos 2500 quilômetros da rede ferroviária paranaense que estão sem a circulação de trens de carga são do interior, sendo o Norte Pioneiro a região mais prejudicada.

Para o empresário, a competitividade das empresas depende da ferrovia como alternativa de transporte mais barato. Segundo ele, a ferrovia oferece garantia de transporte de maiores volumes a um custo muito menor, aumentando a eficiência das companhias. Sem contar, segundo ele, a perda de um patrimônio histórico que conta a luta de nossos pioneiros pelo desenvolvimento regional. 

Prejuízos para indústria

Uma das empresas prejudicadas é a Usina Jacarezinho que utilizava a malha ferroviária desde a década de 70 quando o trecho Jacarezinho em direção a Curitiba estava em operação. Dentro da indústria há inclusive um desvio ferroviário que sempre abastecia os vagões para levar a produção a Paranaguá.
 

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