21/09/2022 às 18h25min - Atualizada em 22/09/2022 às 00h01min

Irã restringe acesso à internet após quinto dia de protestos

Manifestações começaram depois que uma mulher de 22 anos foi presa pela polícia dos costumes e morreu na prisão. O governo pediu desculpas, mas protestos se espalharam pelo país.

G1 Mundo
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Manifestações começaram depois que uma mulher de 22 anos foi presa pela polícia dos costumes e morreu na prisão. O governo pediu desculpas, mas protestos se espalharam pelo país. Em Istambul, mulher corta o cabelo em público como forma de protesto contra o governo do Irã
Yasin AKGUL / AFP
O governo restringiu o aceso à internet no país nesta quarta-feira (21), de acordo com relatos de residentes e do observatório de atividade da rede de computadores NetBlocks. Esse é o quinto dia de protestos por causa que uma mulher morreu após ser presa pela polícia dos costumes.
As manifestações começaram depois da morte de Mahsa Amini, de 22 anos, uma curda que foi presa por não estar vestida adequadamente (ou seja, ela não estava cobrindo o rosto).
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Restrições à internet
De acordo com a NetBlocks e com moradores do país, o acesso foi restrito ao Instagram, a única grande rede social que o Irã permite e que tem milhões de usuários.
Os usuários do WhatsApp disseram que só conseguem enviar texto, mas não imagens.
Há relatos de que na província onde há mais curdos, a internet inteira foi cortada.
A Meta Platforms, dona do Instagram e do WhatsApp, não respondeu imediatamente a um pedido de informações.
Mulheres queimam véu islâmico no Irã
Mulheres queimam os véus
A morte de Amini desencadeou manifestações em que se reclama da falta de liberdades no país.
Mulheres queimaram seus véus durante os protestos, e algumas delas cortaram o cabelo em público.
A primeira manifestação aconteceu no enterro de Amini, na região curda do país. Depois disso, se espalharam pelo Irã —foi então que as forças de segurança começaram a reprimir os atos públicos.
Mortes nos protestos
O grupo de direitos humanos curdo Hengaw afirma que 7 manifestantes foram mortos pelas forças de segurança nos cinco dias de protestos. Na terça-feira, forma 3 mortos. Autoridades negaram que as forças de segurança tenham matado manifestantes.
Dados oficiais sobre os protestos
A agência de notícias oficial IRNA disse que um assistente de polícia morreu por causa de ferimentos na cidade de Shiraz. Um funcionário citado pela IRNA disse que 15 manifestantes foram presos na cidade.
Na cidade de Kermanshah, o promotor Shahram Karami disse que 2 pessoas foram mortas na terça-feira em distúrbios. Ele culpou dissidentes armados, porque as vítimas foram "mortas por armas não usadas pelo aparato de segurança", disse a agência de notícias semi-oficial Fars.
O chefe de polícia do Curdistão, em comentários à agência de notícias semi-oficial Tasnim, confirmou 4 mortes no início desta semana na província. Ele disse que as vítimas foram baleadas com um tipo de bala não usada pelas forças de segurança, e que "gangues" queriam culpar a polícia e as autoridades de segurança.
Governo pediu desculpas pela morte
Amini entrou em coma e morreu enquanto esperava com outras mulheres detidas pela polícia moral, que impõe regras rígidas no Irã exigindo que as mulheres cubram os cabelos e usem roupas folgadas em público.
Seu pai disse que ela não tinha problemas de saúde e que ela sofreu contusões nas pernas sob custódia. Ele responsabiliza a polícia pela morte dela. A polícia negou ter feito mal a ela.
O comissário da ONU para os Direitos Humanos pediu uma investigação imparcial sobre sua morte e alegações de tortura e maus-tratos.
Um assessor do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, prestou condolências à família de Amini nesta semana. Ele prometeu acompanhar o caso e disse que Khamenei estava magoado com a morte.
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