Pedra Criminosa entra em debate com duplicação da BR-153 e tem futuro indefinido no Norte Pioneiro

Formação rochosa na divisa entre Jacarezinho e Ourinhos reúne valor histórico, científico e cultural; intervenção ainda está em análise

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Pedra Criminosa entra em debate com duplicação da BR-153 e tem futuro indefinido no Norte Pioneiro
Celso Antônio Rossi - Fotoblog Jacarezinho com Amor

A duplicação da BR-153, no Norte Pioneiro do Paraná, colocou em evidência o futuro da chamada Pedra Criminosa, localizada às margens da rodovia, na divisa entre Jacarezinho e Ourinhos. O local, conhecido por reunir lenda, memória histórica e relevância geológica, está dentro da área de intervenção da obra e ainda não tem definição sobre possíveis mudanças.

Segundo a assessoria de comunicação da concessionária responsável pelo trecho, a EPR Litoral Pioneiro, o projeto de duplicação já está definido, mas o que será feito especificamente na formação rochosa permanece em análise técnica. A empresa informou que a Pedra Criminosa já está contemplada no processo de licenciamento ambiental e que qualquer decisão será tomada em conjunto com o Instituto Água e Terra (IAT).

A indefinição abre espaço para dois cenários: de um lado, o risco de impactos à formação natural; de outro, a possibilidade de integração do local a projetos de valorização turística, científica e educativa.

Importância geológica

Muito antes das narrativas populares, a Pedra Criminosa já registrava um passado de milhões de anos. Segundo dados divulgados pelo pesquisador independente e divulgador do patrimônio histórico e natural do Norte Pioneiro do Paraná, Marcos Almeida, estudos técnicos realizados por geólogos do IAT identificaram na formação estruturas conhecidas como laminações cruzadas, típicas de ambientes desérticos.

Ainda segundo Almeida, essas características indicam que a região já foi ocupada por extensos campos de dunas de areia, o que transforma o local em um ponto de interesse geológico no Paraná, com potencial para uso educativo e inclusão em rotas de geoturismo.

Origem do nome e tradição popular

Além do valor científico, a Pedra Criminosa carrega forte presença no imaginário popular. De acordo com dados do advogado Celso Antônio Rossi (in memoriam) no fotoblog "Jacarezinho com Amor", relatos que remontam ao final do século XIX indicam que viajantes que percorriam o antigo caminho entre Jacarezinho e Ourinhos observavam sinais de presença humana na base da rocha, como fumaça constante.

A situação levou à associação do local a um possível foragido da justiça do Estado de São Paulo, que teria vivido isolado sob a pedra, em uma área de difícil acesso. O mistério em torno da identidade e do destino desse homem ajudou a consolidar a narrativa.

A partir desses relatos, surgiu o nome “Pedra do Criminoso”, posteriormente simplificado para Pedra Criminosa — denominação que permanece há mais de um século.

Achados recentes reforçam ligação com a Revolução de 1932

Há cerca de dois anos, um grupo de detectorismo localizou, nas proximidades da Pedra Criminosa, projéteis enterrados que podem estar relacionados à Revolução Constitucionalista de 1932.

O achado reforça os registros históricos de que a região do Vale do Paranapanema esteve na rota de deslocamento de tropas durante o conflito, especialmente na divisa entre Paraná e São Paulo. Também há registros fotográficos da época que mostram a presença de militares em áreas próximas.

Embora ainda não haja confirmação técnica definitiva sobre a origem dos materiais encontrados, os vestígios ampliam a relevância histórica do local e fortalecem a associação com o período.

Debate sobre preservação

Com o avanço das obras da BR-153, a Pedra Criminosa passa a integrar um novo contexto. A possibilidade de intervenção levanta discussões sobre a necessidade de conciliar o desenvolvimento da infraestrutura com a preservação de patrimônios naturais e culturais.

Entre as alternativas apontadas estão a criação de acesso seguro, instalação de sinalização interpretativa e a inclusão do local em projetos turísticos regionais.

"​Com as obras de duplicação da rodovia, surge uma oportunidade única: transformar a Pedra Criminosa em um Geossítio oficial e ponto de memória da Georrota do Norte Pioneiro. ​Preservar essa história é garantir que o passado humano e geológico do nosso planeta continue sendo contado", destacou Marcos Almeida em publicação recente em seu Instagram.

Enquanto não há definição oficial, a Pedra Criminosa segue como um dos símbolos mais marcantes do Norte Pioneiro, reunindo em um único ponto registros geológicos de milhões de anos, uma lenda centenária e conexões com a história do país.

Especialista esclarece debate sobre a Pedra Criminosa

Almeida, afirma que a discussão em torno da Pedra Criminosa não envolve a paralisação da duplicação da BR-153, mas sim a forma como o local será tratado após a intervenção.

Segundo ele, a obra viária é considerada necessária e já está definida, inclusive com previsão de retirada de parte da formação rochosa por questões de segurança e engenharia.

“O que está sendo debatido não é impedir a obra, mas sim o que fazer com o que restar da Pedra Criminosa”, explica. De acordo com Almeida, existe a possibilidade de preservar parte da estrutura e transformar a área em um geossítio, integrando turismo, ciência e educação.

Ele resume o cenário de forma objetiva: a duplicação vai acontecer, uma parte da pedra será removida e o restante pode ser preservado e valorizado. Para o pesquisador, o ponto central é conciliar o avanço da infraestrutura com a proteção do patrimônio natural, evitando interpretações equivocadas de que haveria tentativa de barrar a obra.

Arte desenvolvida por Marcos Almeida para ilustrar a situação.

 


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