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15/01/2021 às 10h30min - Atualizada em 19/01/2021 às 00h00min

Cidade Administrativa de MG começa a instalar dispositivos "anti-coronavírus" em bebedouros

A sede do poder estadual de Minas Gerais contará com 50 bebedouros touchless ÁguaàLaser, que dispensa o contato físico em registros e torneiras para pegar água

SALA DA NOTÍCIA Grupo Balo

Invenção genuinamente mineira, o ÁguaàLaser é uma opção eficaz para ajudar a frear os casos de contaminação pelo novo coronavírus. Por isso, o Governo do Estado de Minas Gerais solicitou a instalação de 50 bebedouros com dispositivos que liberam a água por sensor touchless na Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves. A instalação dos equipamentos já foi iniciada e deve ser finalizada até o início da segunda quinzena de janeiro.

A bióloga, mestre e doutoranda em Imunologia pela UFMG, Ana Clara Matoso, destaca a importância de dispositivos que dispensam o contato físico para evitar a transmissão de doenças. Ela aponta que a disseminação de microrganismos e a propagação de infecções é preocupante em todo o mundo e, após o início da pandemia do novo coronavírus, têm aumentado o número de diretrizes e legislações para o controle da propagação destas infecções em espaços públicos.

De acordo com a doutoranda, a contaminação por contato pode ocorrer por contato direto com um paciente infectado ou indiretamente por meio de um objeto ou superfícies contaminadas, que funcionam como reservatórios de microrganismos que se espalham por quem entra em contato com ela, principalmente em locais onde passam um alto número de pessoas por dia, como instituições públicas, instituições de ensino e espaços de atendimento à saúde.

Os antigos modelos de purificadores de água que eram utilizados pela sede do poder estadual mineiro exigiam o contato manual para o acionamento da torneira, procedimento não recomendado, considerando que as mãos são um potencial meio de contaminação da Covid-19. Conforme Nota Técnica Pública CSIPS/GGTES/ANVISA Nº 01/2020, o vírus SARS-CoV-2 pode permanecer até 72 horas em superfícies plásticas. O equipamento torna-se ainda mais susceptível a esse risco, considerando que o acionador de água dos purificadores antigos se encontrava muito próximo à saída de água, e podia ser facilmente tocado e por consequência, contaminar o usuário durante seu uso. Já com a instalação do ÁguaàLaser, as possibilidades de se contaminar por meio de bebedouros serão totalmente eliminadas no local.

De acordo com a Coordenadoria da Cidade Administrativa, com a instalação de bebedouros por acionamento automático, a instituição será mais eficaz para a contenção da Covid-19 e trará benefícios e economia financeira, uma vez que não será necessário alocar um profissional dedicado à limpeza constante dos equipamentos todas as vezes que forem utilizados, visto que dispensam o contato manual durante o uso. Somada à necessidade de mitigação e enfrentamento à COVID-19, a aquisição de bebedouros industriais com sensor vem atender à adequação da estrutura do complexo às normas e orientações para acessibilidade do espaço. Dentre os apontamentos de uma auditoria do Ministério Público, estava a necessidade de adequação dos bebedouros às recomendações necessárias ao uso da pessoa com deficiência. Nesse sentido, a fim de atender a essa demanda, previu-se a aquisição de bebedouros acessíveis.

Com a instalação do ÁguaàLaser na Cidade Administrativa, servidores públicos e visitantes poderão ficar mais tranquilos quando precisarem matar a sede. A invenção consiste em um sensor infravermelho que detecta quando a mão se aproxima do bebedouro ou torneira, o que libera o líquido sem a necessidade de tocar em botões, abrir ou fechar o registro. “O dispositivo foi desenvolvido com o objetivo de evitar a contaminação cruzada em frigoríficos, de animais para pessoas ou vice-versa. Essa demanda partiu de grandes empresas que solicitaram um produto touchless, que permitisse a retirada de água para consumo humano sem precisar encostar. Com a pandemia, a nossa criação se tornou ainda mais útil e hoje faz parte de estratégias de prevenção de novas contaminações pelo Covid-19, além de promover a acessibilidade e inclusão social”, explica Muriel Ornela, CEO da Beloar.

Para Camila Campos, Diretora do Setor de Alimentação da Cidade Administrativa, a instalação do dispositivo chega como mais uma importante ação para evitar o contágio pelo Covid-19 e outras enfermidades. “Como nós temos um público muito grande, antes da pandemia eram cerca de 17 mil pessoas, para poder mitigar a contaminação por coronavírus e outras doenças, esse dispositivo é muito importante porque não há contato, graças aos acionadores automáticos. Mesmo que a maioria dos servidores estejam atuando no formato de teletrabalho, ainda há muitos profissionais trabalhando e, por isso, o Setor de Alimentação da Cidade Administrativa decidiu adotar o ÁguaàLaser como medida de segurança, tanto para quem está aqui hoje, quanto para quem estiver na retomada do trabalho presencial, destaca. “Fizemos os primeiros testes e eu gostei muito, principalmente pela agilidade, praticidade e pelo fluxo de água que saí do dispositivo”, completa.

Tecnologia nacional supera a de fábricas multinacionais

O CEO da Beloar explica que o principal obstáculo tecnológico enfrentado pela equipe foi fazer com que o sensor infravermelho funcionasse no sol. “Começamos a conceber o produto com um sensor que já vinha pronto de fábrica, mas foi preciso criar um próprio, com uma tecnologia e código fonte desenvolvida por nós. Todos os sensores infravermelhos comercializados, inclusive de torneiras de grandes fabricantes nacionais e internacionais, como a XIAOMI, não possuem tal tecnologia e ou não funcionam no sol (não sai água quando o produto está exposto ao sol) ou sai água sem cessar (o sensor aciona sozinho e libera água sem necessidade). Todos esses fabricantes que utilizam esse tipo de sensor nas torneiras orientam que o produto não fique exposto ao sol, mas a maioria dos bebedouros ficam em áreas abertas e não poderia ter essa restrição. Com esse impasse, nossos engenheiros trabalharam muito no laboratório com testes e ensaios e conseguiram chegar em uma variável em que o produto funciona em qualquer ambiente. Podemos dizer que apesar de ser uma empresa nacional e de pequeno porte, conseguimos superar a tecnologia de grandes indústrias nacionais e internacionais”, conta com orgulho.

Por mais que o uso da invenção de Muriel Ornela seja mais percebido em razão da pandemia, há outros benefícios importantes, como a inclusão social. “Além da Covid-19 e prevenção de vírus, o produto atua também na linha do importante assunto e que hoje está em alta, que é a acessibilidade. Com a liberação do fluxo de água por sensor de aproximação, idosos, cadeirantes e pessoas amputadas poderão consumir água com mais facilidade, visto que só será preciso segurar seu copo ou garrafa à frente da torneira de sensor, sem ser necessário apertar nenhum botão, o que gera mais independência por parte do indivíduo”, exemplifica.

A Beloar desenvolveu três tipos de torneiras com sensor que se adaptam aos principais bebedouros do mercado: bebedouro industrial, bebedouro de pressão e bebedouro acessível. Além disso, a empresa percebeu que poderia criar um adaptador universal para transformar torneiras de banheiros comuns em torneira de sensor, visto que os produtos semelhantes do mercado são muito caros, de acordo com Muriel Ornela.

Muriel Ornela é otimista com o futuro do dispositivo. “Acredito que a tecnologia de oferecer água sem contato veio para ficar, pois o Covid-19 é um vírus mortal, mas sabemos que muitos outros vírus, bactérias e doenças são transmitidos pelo contato com superfícies contaminadas: gripe, pneumonia, conjuntivite, hepatite A, gastroenterites, rotavírus, bronquiolite 1 , entre outros. E quem possui o hábito de lavar as mãos após encostar no bebedouro para pegar um copo de água? Eu não conheço ninguém. O bebedouro é um objeto característico, que todo mundo usa, mas quase ninguém o higieniza ou higieniza as mãos após utilizá-lo. A pessoa enche o copo de água ou garrafinha e volta para a sua mesa ou local de trabalho”, finaliza o empreendedor.

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