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21/02/2021 às 20h35min - Atualizada em 21/02/2021 às 20h35min

​Cooperativa de fruticultores lança projeto de abacaxi em escala industrial em Cambará

Plantio e comercialização da fruta está aberto para novos produtores que queiram participar de projeto

Graça Maria / Tribuna do Vale
Tribuna do Vale
Um encontro, na tarde de sexta-feira (19), no Espaço Sicredi, reuniu representantes da entidade, Prefeitura de Cambará, Emater, ACAF – Associação Cambaraense da Agricultura Familiar, Sindicato Rural Patronal, Vila Puree, de Santo Antônio do Paraíso, e produtores rurais, com o objetivo de discutir o desenvolvimento de um programa para plantio e comercialização do “Projeto Abacaxi”, iniciado em 2017 para comercialização in natura, e agora para a comercialização em escala industrial.

Na abertura do encontro, o gerente da agência Sicredi/Cambará Rafael Martins, destacou os serviços da entidade financeira, em especial os voltados ao agronegócio. Ana Cristina Kruger, da área de marketing da instituição, apresentou vários projetos que envolvem as comunidades onde estão instaladas as agências Sicredi.

Na sequencia, o engenheiro agrônomo da Emater/Cambará, Almir Del Padre, apresentou os números do VBP – Valor Bruto da Produção de Cambará e de várias cidades paranaenses, que comprovam que, nos municípios onde a diversificação de propriedades rurais ocorre em maior escala, em relação ao plantio da soja e da cana-de-açúcar, este valor cresceu muito mais.

Segundo o agrônomo, em Cambará o VBP anual em uma área de 37,1 mil hectares é estimado em R$ 206.8 milhões, com média por hectare avaliada R$ 5.567,79. Já em do Barra do Jacaré o VBP anual é de R$ 123.9 milhões, numa área de 11,5 mil hectares. A performance dos produtores barrenses é muito superior, pois conseguem de R$ 10.7 mil por hectare, quase o dobro dos produtores cambaraenses. A resposta, sendo Del Padre, está na diversificação “Em Cambará a soja representa 29% deste montante; a cana 39% e a produção de frango 13%. Em Barra do Jacaré a soja representa 16% do valor anual; a cana 10%, e, o frango 54%”.

Citando outro exemplo Almir Del Padre mostra os números de Carlópolis, outro município em que a diversificação agrícola tem forte presença.  “O VBP anual de Carlópolis está em R$ 229.6 milhões, com a soja representando 6% deste montante, o frango 7% e as frutas 20%, em uma área total de 44.7 mil hectares. Outros municípios da região e do Estado conseguem maior VBP porque investiram no passado em diversificação e hoje colhem os resultados. Nós aqui permanecemos nesta falta de diversificação, mas podemos reverter este quadro. O que Cambará poderia crescer em soja e cana já cresceu, agora é hora de buscar novas alternativas de produção agrícola”, assinalou.

O agrônomo observou ainda, que a circulação de dinheiro gerado pela soja e pela cana-de-açúcar não fica só no município, mas os recursos gerados pela fruticultura se concentra na área onde ocorre a produção.

Del Padre afirma que o plantio de 400 mil mudas de abacaxi em Cambará, realizado através de parceria com o governo estadual e com a empresa Villa Puree, de Santo Antônio do Paraíso, já coloca Cambará como a segundo município do Paraná em produção da fruta.

“Já houve no passado tentativas de diversificação com estufas, por exemplo, mas, faltou organização entre os produtores. Quando falta esta organização, não se pode por exemplo esperar preços estáveis do mercado. Agora, estamos buscando trabalhar de forma organizada, criando uma Cooperativa, a Coagronorte, para trabalhar com a cultura do Abacaxi, hoje com sete produtores associados, mas estamos abrindo a oportunidade de que mais interessa dos venham fazer parte do projeto, porque se planeja estender a 22 alqueires o plantio da cultura, informa.

Um dos objetivos da Cooperativa, segundo o agrônomo será a criação de um banco de mudas de abacaxi no município, para que os produtores não fiquem na dependência externa da renovação de plantel. “Faremos de Cambará um polo de produção mudas da fruta. Nós já tínhamos experiência com o abacaxi mesa, ou o abacaxi in natura, e estamos agora estruturando a produção industrial “, esclareceu. Ainda segundo Almir, a formação da Cooperativa agregará outras variedades de frutas ao Projeto.

Industrialização

Micheli Polican, engenheira agrônoma da Villa Puree, apresentou um esboço do trabalho que a empresa realiza, que se estende por 10 municípios da região, ao longo de 130 km rodoviários, e com a aquisição de oito tipos de frutas: maracujá, pêssego, ameixa, morango, pitaia, goiaba, manga e abacaxi. A comercialização das frutas adquiridas e de seus subprodutos são realizados à várias empresas do país. “Neste momento estamos processando mil quilos de frutas. Em 2022 queremos elevar este índice para 5 mil quilos e em 2030, 10 mil quilos”, informou.

Aristeu Sakamoto, presidente do Sindicato Rural Patronal, e participante do Projeto Abacaxi em escala industrial, apresentou um vídeo com o plantio da cultura, e falou da importância da diversificação da propriedade rural através das frutas. O produtor também vem cultivando lavouras de algodão em sua propriedade.

O prefeito Neto Haggi destacou a importância do trabalho que vem sendo realizado ao longo dos anos pela ACAF, Emater, e parceiros. Falou sobre o Projeto Abacaxi que recebeu incentivo da Prefeitura para ser ampliado, elogiou a parceria do Sicredi com o Projeto e colocou o município a disposição dos produtores e das entidades participantes.

O encontro foi encerrado pelo vice-presidente do Sicredi Sérgio Justo. “Vejo um projeto grande se desenvolvendo através do Abacaxi. Acredito que a solução da economia esteja no campo. Sei que em Cambará tem gente competente, com coragem para tocar este Projeto. Entendo que tirar o Projeto do papel não é difícil, mas precisa de gente que queira trabalhar. Se não houver pessoas dispostas ao trabalho, tudo pode se perder. Hoje o Sicredi é uma Cooperativa que cresceu mais de 60% nos últimos tempos graças a muito trabalho de todos que fazem parte da nossa instituição”, concluiu.

Estiveram ainda presentes ao encontro, Marcelo Bernardelli e José Marcusso da ACAF, Roberto Simões engenheiro agrônomo e chefe local da Emater, Angélica Cristina Cordeiro Moreira diretora de Indústria e Comércio da Prefeitura, além de produtores rurais.


 

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