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26/02/2021 às 17h43min - Atualizada em 27/02/2021 às 00h00min

Egili Oliveira leva empoderamento através da arte ao Santa Marta

Moradora do bairro de Botafogo, atriz integra grupo de teatro formado por atores da comunidade e cobra mais espaço para os artistas pretos na TV e no teatro

SALA DA NOTÍCIA JOICE HURTADO RODRIGUES

O ano de 2020 foi de total revolução na vida de Egili Oliveira. Aos 40 anos, a renomada professora de samba e rainha de bateria da Acadêmicos de Vigário Geral, viu na pandemia, uma oportunidade de dar novo foco à carreira.

Impossibilitada de viajar para realizar os workshops que promove ao redor do mundo sempre no primeiro semestre de cada ano, Egili aproveitou para repensar projetos que estavam guardados há tempos na gaveta. “ Este foi um ano muito difícil e onde a gente precisou, mais do que nunca, se conectar com a nossa fé, nossa religiosidade, para entender os propósitos de Deus para nós. Sempre fui muito ligada a estas questões de energia e, pra mim foi um baque muito grande, pois eu tinha acabado de inaugurar um estúdio de dança e só consegui dar uma semana de aula antes dele fechar, ou seja, um investimento de tempo e de economias , que eu tive que parar. A partir daí, comecei a pensar em como eu poderia aproveitar o isolamento para aprender e foi isso que fiz, voltei a estudar”, diz ela.

Formada em teatro, Egili retomou os estudos e resolveu investir na carreira de atriz, fazendo reciclagens e aulas de canto e impostação de voz com uma fonoaudióloga. Paralelo a isso, a paixão pelo samba e os insistentes pedidos dos alunos ao redor do mundo, fizeram com que ela se rendesse às classes online aproveitando o próprio espaço de casa para os workshops. “ Foi muito interessante porque eu realmente tive que me reinventar. Sempre fui muito discreta e , de repente, estava todo mundo, literalmente, na minha casa. De certa forma, foi algo que me motivou e me ajudou a não entrar em um processo de depressão, já que eu moro sozinha”, comenta.

Empoderamento em cena e nas redes sociais

Todo empenho e a maior atividade nas redes sociais, foram determinantes para que a carreira da atriz tomasse novos rumos. “Com os estudos e as reciclagens que fiz, fui me conectando a artistas de teatro, e dali foram nascendo projetos novos como o Tearteiros do Santa Marta, que atualmente é meu xodó. Além de trocarmos experiências, e de eles me ajudarem muito nesta nova etapa, são amigos e parceiros que querem trazer para o Santa Marta ( comunidade de Botafogo, bairro onde mora Egili), intervenções culturais e outras ações ligadas à arte, algo que sempre me esforcei muito para trazer aqui para a região”, diz Egili que estreou nas telas de tv, participando do filme de Luccas Neto ( em exibição nos canais fechados), além de ter protagonizado a campanha de Natal do portal de compras Amazon e de ser a estrela do clipe lançado pelo Batuk Digital em homenagem ao Dia da Consciência Negra.

Dentro desta nova seara, Egili, que sempre teve as portas abertas no Carnaval, sentiu a necessidade de levantar a bandeira de mais equidade nas produções de televisão e teatro. “ é maravilhoso a gente ligar a televisão e se sentir representado de alguma forma, o que eu não tinha quando criança, mas ainda é pouco. Você vê as produções norte-americanas e sente o quanto ainda estamos distantes neste processo e não é só na televisão. Vivemos um ano de 2020 onde foi pujante e urgente essa discussão em torno da nossa representatividade e é isso que tento levar para os jovens do Santa Marta. Nós podemos e devemos ocupar todos os espaços com oportunidades iguais porque somos capazes disto”, diz a atriz.

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