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26/03/2021 às 15h47min - Atualizada em 28/03/2021 às 00h00min

Covid-19: como cuidar da saúde mental durante o isolamento social

Psiquiatra explica como funcionam os atendimentos durante a pandemia de coronavírus no Brasil

SALA DA NOTÍCIA Salatiel Araújo
www.doutortv.com.br
A pandemia de Covid-19 veio como uma avalanche, acometendo a rotina de todos e resultando numa vida totalmente diferenciada nos últimos 12 meses.
Um problema comum nesses tempos de isolamento social é o aumento da ansiedade e também dos quadros depressivos. Vejamos: há pessoas que, antes mesmo da pandemia de Covid-19, já faziam seus devidos tratamentos com um psiquiatra e tiveram que se deparar com uma situação inusitada. Por outro lado, indivíduos que jamais se viram ansiosos, experimentaram uma situação invertida.
Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 8,6 milhões de brasileiros sofrem com algum transtorno de ansiedade, e isso vem antes da pandemia.
Como lidar com a situação, tanto para quem já sofria com determinadas doenças psiquiátricas quanto aquele que se deparou com alguns desses transtornos pela primeira vez?
Manter a saúde mental é preciso
Hoje em dia, diante desse momento triste em que vive a humanidade, muitas pessoas que foram infectadas ou não pelo coronavírus precisaram de um acompanhamento psiquiátrico. 
Após a regulamentação da telemedicina, ficou muito mais fácil o direcionamento às pessoas que não podem ou evitam a exposição devido ao momento crítico em que todos nós estamos vivendo. Houve uma facilidade para que os pacientes pudessem concluir ou continuar seus tratamentos.
“Hoje faço atendimento direcionado a todo o país e até para o exterior. A telemedicina tem contribuído para pudéssemos levar a saúde mental até mesmo aos lugares mais remotos”, explica o psiquiatra Dr. Antônio Orlandini.
Adaptando-se às novas tecnologias
Quando a pandemia chegou ao Brasil, os atendimentos ambulatoriais foram cancelados e houve muitas expectativas, inclusive por parte da classe médica. As pessoas não saíam de casa devido ao risco da contaminação e ao mesmo tempo havia o compromisso em continuar as recepções dos pacientes com segurança.
“Quando tudo começou iniciei uma pesquisa sobre a telemedicina e passei a rever os meus conceitos sobre ela. Hoje meus atendimentos são cem por cento online. Temos uma equipe de psicologia, faço atendimentos médicos psiquiátricos e conseguimos levar a saúde mental para qualquer lugar, desde que a pessoa tenha uma internet e um aparelho com câmera. É eficaz, funciona muito bem”, exemplifica o psiquiatra.
As pessoas aos poucos vão se acostumando com a novidade dos atendimentos remotos. Aprender a lidar com as plataformas é o começo. É claro que há casos específicos avaliados pelos próprios médicos e que necessitam de uma conversão para o atendimento presencial.
Entendendo o momento de procurar ajuda
A ansiedade é um problema que tem acometido muitas pessoas. Há quem a controle, mas há momentos em que o sufoco toma conta. Então, faz-se necessária a busca por ajuda.
Nós não estamos acostumados com o isolamento social. Há sonhos a serem realizados, além de metas que foram perdidas desde que a pandemia se instalou, ou seja, tudo isso aliado a uma preocupação financeira e familiar mexe com a nossa cabeça.
A pessoa, ao se deparar com tudo isso, passa a ficar estressada. Quem tem um fator de base, de risco para isso, tem mais chances elevar o isolamento a algo patológico.
Um dos sinais que nosso cérebro apresenta apontando que alguma coisa está errada é a mudança de humor. Além disso, há uma alteração no comportamento rotineiro.
“Há pacientes que passam a não dormir como antes, seja para mais ou para menos, têm um sono que não restaura, acordam cansados ou estressados. Existe o convívio social dentro de casa que, por um tempo maior, pode favorecer os conflitos. Podemos citar também alguma alteração na alimentação onde o paciente passa a comer muito ou então menos do que o rotineiro. Incluem-se aí aqueles pensamentos catastróficos de que nada vai dar certo, a possibilidade da contaminação pelo coronavírus chega de forma obsessiva, e tais situações vão deixando o paciente travado. Tudo isso pode ser um sinal de alerta”, alerta o Dr. Antônio Orlandini.
Não é vergonha para ninguém buscar ajuda. Isso se dá para ambos os casos, onde pessoa já sofria com ansiedade ou se deparou com isso pela primeira vez.  Prorrogar pode agravar ainda mais o problema. O paciente perde a qualidade de vida.
Por outro lado, assim que o tratamento é iniciado, a pessoa passa a experimentar uma realidade da qual há tempos não vivia.
“Estamos habituados a ver esses tipos de comportamento o tempo todo. Muitos familiares querem ajudar, orientam, mas o paciente precisa procurar ajuda de um especialista, seja ele um profissional da psicologia que, se achar necessário, encaminhará a pessoa para um psiquiatra e vice-versa. O especialista sabe, com evidências científicas, quais são os tratamentos para que o paciente tenha um melhor prognóstico para seu caso clínico específico. Cada pessoa é única. A queixa é específica e a abordagem também deve ser assim”, finaliza o psiquiatra Dr. Antônio Orlandini.
 
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