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30/03/2021 às 18h10min - Atualizada em 31/03/2021 às 00h00min

Desemprego prevalece e não há qualquer expectativa de retomada econômica no curto prazo

Comércio e serviços devem apresentar perda significativa de vagas, aponta especialista

SALA DA NOTÍCIA NA Comunicação
Nesta quarta-feira (31), o IBGE divulga o resultado da Pnad Contínua Mensal e segundo análise feita pelo professor da Fipecafi, Jhonatan Hoff, o resultado deve se manter estável ou apresentar leve recuo. Isso significa que a Pnad pode ficar entre 13% e 14%, o que representa uma população desocupada que gira em torno de 13 e 14 milhões de pessoas.

Para Hoff, no curto prazo o mercado de trabalho ainda deve apresentar altas taxas de desemprego. “É grande a probabilidade que a parte da população que se encontrava em situação de desemprego no terceiro e quarto trimestre de 2020 continuará à procura de um posto de trabalho no início de 2021. Ou seja, as altas taxas de desemprego registradas em 2020 não serão revertidas em um curto espaço de tempo, especialmente em um cenário no qual prevalece a escassez de ações por parte do governo que buscassem frear os altos níveis de desemprego ou o avanço da pandemia”, destacou.

Um fator importante para esta análise é considerar que os dados que serão divulgados nesta quarta-feira, têm o período de referência de janeiro deste ano. “É importante destacar que a pesquisa refletirá o mercado de trabalho em janeiro, quando a confiança do empresário estava superior com o fim da pandemia e a consequente retomada da atividade econômica, cenário completamente distinto do vivenciado no mês de divulgação da pesquisa (março), marcado pelo aprofundamento da situação da pandemia e da crise econômica, sem qualquer expectativa de retomada no curto prazo”, analisou o professor da Fipecafi.

Importância do controle da pandemia
O controle da situação pandêmica é uma condição necessária para retomada econômica e recuperação do mercado de trabalho. “Com a pandemia fora de controle, a tendência é pelo endurecimento de medidas de distanciamento social na tentativa de frear a curva ascendente de mortes. O agravamento desenfreado da crise e a falta de uma ação coordenada em nível nacional, com o objetivo de reduzir os impactos da pandemia, influenciará diretamente na recuperação do mercado de trabalho. Em um cenário muito otimista, mesmo que a pandemia seja controlada, o crescimento previsto para a economia não deve ser suficiente para reintroduzir no mercado de trabalho o percentual da população que se tornou desempregada por conta da pandemia”, explicou Hoff.

Setores que devem ganhar e perder vagas
Em relação aos setores que podem apresentar perda de vagas, o especialista explica quais são e os motivos envolvidos. “Os setores do comércio e serviços foram bastante prejudicados durante a pandemia por diversas razões. Com o agravamento da crise e o endurecimento das medidas restritivas de distanciamento social, sem qualquer contrapartida, auxilio ou apoio aos empresários dessas áreas, a tendência é de que esses dois setores apresentem uma perda significativa de vagas. Esse resultado ainda não será observado nesta Pnad, uma vez que esses setores tiveram uma recuperação no fim do ano por conta da flexibilização das medidas restritivas e da sazonalidade de fim de ano”, explicou.

Já para os próximos meses o professor da Fipecafi aponta quais setores podem ser possíveis geradores de vagas. “A expectativa é de que os setores da indústria, construção civil e agropecuária, consigam amenizar a situação de alguma forma no que diz respeito a geração de empregos”, disse.

O que esperar do mercado de trabalho
O especialista também faz um panorama sobre o que podemos esperar do mercado de trabalho nos próximos três meses. “O recuo na taxa de desemprego observada no quarto semestre de 2020 (e provavelmente no mês de janeiro/2021) não se manterá nos próximos meses. A expectativa diante da situação atual é de um aumento nos índices de desemprego no curto prazo. O controle da pandemia com distanciamento social, uso de máscara e demais medidas sanitárias necessárias, em conjunto da vacinação em massa, somadas a políticas econômicas voltadas a recuperação econômica e geração de emprego, são medidas urgentes e necessárias para que nos próximos meses o mercado de trabalho possa apresentar alguma recuperação”, finalizou.
 
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