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27/05/2021 às 10h25min - Atualizada em 28/05/2021 às 00h10min

“Descentralização” é a palavra-chave no futuro do trabalho

CEOs comentam as principais transformações e tendências do ambiente corporativo para 2021

SALA DA NOTÍCIA Ana Lúcia Souza

Recentemente, a revista The Economist divulgou o guia ‘The World in 2021’ com insights sobre um dos principais assuntos discutidos atualmente no ambiente corporativo: o futuro do trabalho. Afinal, o último ano foi repleto de transformações que colocaram em xeque a capacidade de reinvenção das empresas, e, consequentemente, a assertividade de suas decisões tomadas em meio a um período de incertezas. Neste contexto, questões como o papel dos escritórios, a eficiência dos modelos home office e híbrido, a disseminação da cultura organizacional e os itens a serem levados em consideração no momento da contratação foram temas que permaneceram em voga, sendo a descentralização um fator comum entre eles. 

Na prática, a descentralização foi um processo do topo ao funil no qual afetou a liderança, seguida da equipe até chegar aos próprios espaços de trabalho. Um estudo realizado pela Fundação Dom Cabral em parceria com a Page Group registrou que 31,6% das organizações passaram a envolver outros líderes nas decisões estratégicas, sendo que 7% afirmou que a atitude descentralizada contou com a participação de pessoas fora da alta liderança. Já o gerenciamento do time tornou-se um dos principais desafios para a área de Recursos Humanos, pois além dos colaboradores estarem em localidades diferentes, a falta do convívio social e a sobrecarga de tarefas em conjunto com incertezas financeiras, contribuíram para o esgotamento emocional e uma baixa no nível de engajamento. 

Por sua vez, as devoluções dos escritórios começaram no segundo trimestre de pandemia. Aqui, a JLL registrou uma devolução de 122 mil metros quadrados em prédios classe A por empresas em São Paulo, enquanto que a taxa de vacância de escritórios, que mede o volume de espaços vazios para locação, chegou a 19,4% no terceiro trimestre, acima dos 17,3% registrados no trimestre anterior. “O último ano resultou em uma adaptação às pressas da rotina corporativa, mas mesmo em um período onde ainda há a predominância do vírus no país, é possível enxergar o desenho de tendências que vieram para ficar, como a descentralização dos ambientes e o avanço do furniture-as-a-service (FaaS)”, diz  Jean-François Imparato, CEO da Workally, startup de Tecnologia com foco na configuração de novos espaços de trabalho. 

De acordo com o executivo, as empresas conseguiram perceber que são capazes de realizar suas tarefas em qualquer lugar. Basta ter um notebook e uma conexão. Diante desse contexto, os serviços de FaaS, ou seja, de aluguel de mobiliário para escritório ganham espaço, pois proporcionam a flexibilidade necessária que os executivos precisam para escolher o local e a hora que desejam trabalhar. “Além disso, o modelo de negócio vai ao encontro das novas prioridades sociais, pois facilita o trabalho à distância sem exigir um comprometimento físico e financeiro, diminuindo a poluição e estimulando o consumo consciente”, pontua Imparato. 

Já Marco Ferelli, founder da Allya, HR tech com foco em benefícios corporativos e bem-estar financeiro, destaca um impacto cultural dessa descentralização. “O distanciamento social também resulta em uma descentralização da cultura organizacional. Afinal, a equipe que antes estava no mesmo ambiente, se amplia. Outro ponto que vale ressaltar, é a contratação, que passa a ser mais diversificada ao abrir espaço para colaboradores de qualquer localidade e perfil étnico. Por outro lado, essa transformação gera desafios para os líderes e RH, que necessitam aprender a atrair e gerenciar esses talentos diferenciados”, afirma. 

Para facilitar esse desafio, o executivo aponta os benefícios corporativos como uma alternativa. “O papel dos benefícios é o de gerar uma sensação de pertencimento e cuidado ao colaborador, resultando em um aumento do engajamento. Esse tipo de ação sempre foi muito além de um simples auxílio transporte ou refeição. Mas, com a pandemia, ficou ainda mais em evidência. Assim como acontece a democratização da cultura organizacional, também deve haver uma democratização dos benefícios a fim de atrair e suprir as necessidades de pessoas de diferentes perfis, em diferentes momentos”, finaliza Ferelli. 

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