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14/07/2021 às 21h45min - Atualizada em 15/07/2021 às 00h01min

Delegada diz que mulher suspeita de tentar levar bebê de maternidade de Curitiba mentiu em depoimento

Talita Meireles foi presa quando tentava deixar hospital com recém-nascido no colo, na segunda (12). Defesa disse que suspeita é 'incapaz de responder pelos atos'; Justiça determinou exame de sanidade mental.

G1 - Norte, Nordeste PR
https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2021/07/14/delegada-diz-que-mulher-suspeita-de-tentar-levar-bebe-de-maternidade-de-curitiba-mentiu-em-depoimento.ghtml

Talita Meireles foi presa quando tentava deixar hospital com recém-nascido no colo, na segunda (12). Defesa disse que suspeita é 'incapaz de responder pelos atos'; Justiça determinou exame de sanidade mental. Polícia diz que mulher que tentou levar bebê de hospital mentiu em depoimento
A delegada do Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria) responsável pela investigação do caso da mulher presa suspeita de tentar levar um bebê da maternidade do Hospital do Trabalhador, em Curitiba, disse nesta quarta-feira (14) que ela mentiu em depoimento.
"Ela disse que estava grávida e que teria sofrido um aborto, e no dia 27 de junho teria passado por procedimento de curetagem na Maternidade Curitiba. Estivemos lá e isso não ficou comprovado. Lá consta que ela nunca esteve internada naquele hospital", afirmou Ellen Victer.
Talita Meireles, de 23 anos, foi detida na noite de segunda-feira (12) tentando deixar o hospital com um bebê no colo. Ela é suspeita do crime de subtração de incapaz.
Câmeras mostram mulher com bebê no colo, dentro do Hospital do Trabalhador
Reprodução/Hospital do Trabalhador
A polícia investiga duas versões diferentes dadas pela suspeita. No momento em que foi detida pela Polícia Militar (PM), Talita afirmou que venderia a criança para uma vizinha, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba, por R$ 10 mil.
Depois, em depoimento à Polícia Civil, ela afirmou que sofreu um aborto em 27 de junho, que não contou para nenhum familiar e que iria "dizer que o filho nasceu".
"Eu ia dizer que nasceu, alguma coisa assim. Eu fiquei muito desesperada. Eu não sei o que passou pela minha cabeça", afirmou Talita em depoimento.
Veja um trecho do depoimento no vídeo abaixo
Suspeita de tentar levar recém-nascido de maternidade diz à polícia que sofreu aborto
O marido dela foi ouvido pela polícia e confirmou que não sabia do aborto da esposa. Ao ser questionada sobre a primeira informação prestada aos policiais, a mulher alegou que contou a história porque estava nervosa.
A Maternidade Curitiba não se manifestou sobre o caso.
Câmeras registram momento em que suspeita tenta levar recém-nascido de maternidade
Transferência e exame de sanidade
Nesta quarta, uma decisão da Justiça determinou que Talita seja internada no Complexo Médico-Penal (CMP), em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.
O juiz mandou ainda que seja feito um exame de sanidade mental e incluiu uma série de perguntas que o perito deve responder sobre o estado de saúde da mulher. A Justiça deu prazo de 48h para a remoção ao CMP para a realização do exame.
'Estado depressivo'
A defesa da mulher presa alega que ela estava em estado depressivo após ter sofrido um aborto. De acordo com o advogado Paulo Jean da Silva, Talita sofreu o aborto no sexto mês de gestação, no final de junho, e está em estado de depressão puerperal.
"É o retrato de uma jovem mãe que teve um aborto do primeiro filho e, em um momento de desespero e impensado, além do estado depressivo puerperal, cometeu esse ato para tentar suprir sua carência de mãe", afirmou o advogado.
Segundo a defesa, a suspeita é "incapaz de responder pelos atos". "Não estamos falando de uma criminosa, e sim de uma jovem que, nesse momento, necessita de ajuda emocional e psicológica, e não de um cárcere", afirmou Paulo Jean da Silva.
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Câmeras de segurança registram momento em que suspeita tenta levar recém-nascido
'Chegou essa mulher vestida de enfermeira e falou que ia fazer um exame', diz mãe de bebê
Investigação
A polícia também investiga como a mulher entrou no hospital, colocou uma roupa de enfermeira e pegou a criança no quarto.
Imagens de câmeras de segurança mostram Talita carregando a criança no colo dentro do hospital. Ela foi impedida de sair do local com o bebê porque estava sem uma pulseira de identificação.
ASSISTA: Câmeras de segurança registram momento em que suspeita tenta levar recém-nascido de maternidade
De acordo com a mãe do bebê, Pâmela Assunção, Talita entrou no quarto onde ela estava vestida com um uniforme de enfermeira e disse que levaria o recém-nascido para um exame.
"Foi muito rápido. Eu estava no quarto sozinha com meu filho, chegou essa mulher vestida de enfermeira e falou que ia fazer um exame. Perguntei se eu precisava ir junto e ela disse que não, que o exame ia ser rápido, em torno de 5 minutos. Eu falei tudo bem porque ela tava com a roupa igual a das moças que estavam aqui trabalhando e eu acreditei nela", disse a mãe da criança.
Mãe de bebê que foi retirado maternidade de Curitiba diz que tudo foi rápido
De acordo com Pâmela, ela estranhou a demora para o retorno do filho ao quarto e perguntou a uma enfermeira sobre a criança, quando foi informada que uma pessoa estava tentando sair do hospital com o filho dela.
Talita e o bebê foram levados para uma sala da Assistência Social, onde a mãe verdadeira da criança identificou o filho. A mãe e o bebê já receberam alta e estão em casa.
Em depoimento, a suspeita disse que encontrou a roupa de enfermeira em um vestiário dentro do hospital.
"Eu fui olhar as crianças. Eu comecei a olhar e ai eu queria pegar um nenê no colo. Quando eu vi, tudo aconteceu. Mas eu não queria fazer nenhuma maldade. Eu não queria causar nada", disse Talita em depoimento.
O Hospital do Trabalhador, em Curitiba
Tony Mattoso/RPC
Funcionários ouvidos pela polícia afirmaram não saber como a mulher entrou no hospital. De acordo com eles, o acesso é controlado.
De acordo com os depoimentos, na portaria, ao tentar sair do hospital, a suspeita não vestia mais o uniforme de enfermagem.
O que diz o hospital
Em nota, o Hospital do Trabalhador informou que a mulher foi barrada ao tentar sair do local com a criança. De acordo com a instituição, a criança tinha uma pulseira de identificação e a mulher, não.
Após ser barrada, a polícia foi chamada e a criança foi devolvida à mãe.
"Reiteramos que os procedimentos de segurança adotados no Hospital foram efetivos bloqueando a tentativa deste crime. Importante registrar que a Maternidade do Hospital do Trabalhador possui 27 anos de funcionamento sem nenhuma ocorrência desta natureza, demonstrando a qualidade dos seus protocolos de segurança", informou a nota.
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Fonte: https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2021/07/14/delegada-diz-que-mulher-suspeita-de-tentar-levar-bebe-de-maternidade-de-curitiba-mentiu-em-depoimento.ghtml
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