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27/07/2021 às 13h02min - Atualizada em 27/07/2021 às 13h14min

Justiça nega liberdade a mulher de Ronnie Lessa, presa no Rio por tráfico internacional de armas

Elaine Lessa foi presa no início do mês, poucos dias depois de deixar a cadeia. Ronnie é acusado de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes.

G1
https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2021/07/27/justica-nega-liberdade-a-mulher-de-ronnie-lessa-presa-no-rio-por-trafico-internacional-de-armas.ghtml

Elaine Lessa foi presa no início do mês, poucos dias depois de deixar a cadeia. Ronnie é acusado de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes. VÍDEO: Entenda a prisão de Eliane Lessa, esposa de Ronnie Lessa, acusado de matar Marielle
O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou um pedido de liberdade a Elaine Lessa. Ela é mulher do policial reformado Ronnie Lessa, acusado de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, em março de 2018.
Elaine Lessa foi presa no Rio por tráfico internacional de armas no dia 11, dias depois de deixar a cadeia. O mandado de prisão também se estende a Ronnie, que já estava preso em uma cadeia de segurança máxima no Rio Grande do Norte.
Ele e Élcio Franco vão a júri popular pelo assassinato da parlamentar.
O novo pedido de prisão foi feito com base na investigação que aponta a academia Supernova, da qual Elaine e Ronnie são sócios, como destinatária de 16 quebra-chamas para fuzil AR-15.
A peça serve para ocultar as chamas decorrentes de disparos de armas de fogo, de modo a não revelar a posição do atirador.
O Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público Federal (Gaeco/MPF) e a PF descobriram que Lessa e a mulher estavam por trás da importação das peças.
Quebra-chamas vindos de Hong Kong e endereçados para academia de Ronnie Lessa e a mulher
Reprodução/GloboNews
A decisão do STJ
Na decisão do STJ, o presidente em exercício da Corte, ministro Jorge Mussi, afirma que a análise da prisão ainda precisa ser avaliada pela Justiça Federal, que determinou a prisão. A decisão é do último dia 23.
No Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2), um outro pedido de habeas corpus foi negado no dia 19 pelo desembargador Marcello Pereira de Souza Granado.
"Impõe-se considerar a gravidade do fato, que envolve bens 'ordinariamente empregados por organizações criminosas que controlam vastos territórios da cidade do Rio de Janeiro, onde aterrorizam, ferem e matam moradores e agentes da segurança pública de forma indiscriminada', as anotações constantes nas FACs da paciente e de seu esposo, assim como a existência de 'indícios veementes de que eles agiram conjuntamente para obstruir a investigação, em curso na Justiça estadual.'"
A encomenda vinda de Honk Kong chamou a atenção da Receita Federal no Aeroporto do Galeão, no dia 23 de fevereiro de 2017.
O Grupo de Atuação de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público Federal (Gaeco/MPF) e a PF descobriram que Lessa e a mulher estavam por trás da importação das peças.
A prisão
Elaine Lessa, mulher de Ronnie Lessa, foi presa por tráfico internacional de armas
Globo
Além de terem sido alvo de mandados de prisão, Lessa a e Elaine também viraram réus pelo crime de tráfico internacional de armas de uso restrito.
No pedido de prisão feito à Justiça, o MPF destacou que “os quebra-chamas ilegalmente importados pelos denunciados são acessórios tipicamente utilizados em confrontos armados ou emboscadas”.
No pedido de liberdade, os advogados de Eliane afirmam que o Ministério Público se enganou na denúncia e que Ronnie afirmou ser o destinatário da mercadoria apreendida.
A defesa afirma ainda que seriam "freios de boca, e não "quebra-chamas". Como o material não é controlado pelo Exército, dizem os advogados, não haveria empecilho à importação.
"Não faz diferença se a importação do acessório é para arma de fogo de uso proibido/restrito ou não; o que importa é se o próprio acessório é de uso proibido/restrito", escreveram os advogados.
Mas o Ministério Público diz que “se pode deduzir que tais acessórios seriam empregados em confrontos armados entre organizações criminosas que assolam o Rio de Janeiro, ou na eliminação sumária e velada de inimigos e desafetos”.
A investigação sobre a importação das peças de fuzil foi batizada de Operação Supernova, em referência à academia.
PF prende mulher de Ronnie Lessa por tráfico internacional de armas
Apartamento
A investigação esbarrou em outros elementos revelados no Caso Marielle. Um deles é um prédio em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde Ronnie tinha um apartamento.
No caso Marielle, a investigação apontou que o mesmo apartamento era usado pelo PM reformado para a montagem de armas.
Um dia depois da prisão de Ronnie Lessa pela morte de Marielle, em março de 2019, dois comparsas dele foram lá retirar essas caixas.
Os investigadores do Caso Marielle afirmam que o objetivo dos dois homens foi sumir com o armamento. Uma testemunha contou, em depoimento, que as caixas com as armas foram jogadas no mar.
A polícia suspeita que, entre essas armas, pode estar a submetralhadora usada para matar Marielle e Anderson, que nunca foi encontrada.
No último dia 9 de julho, Ronnie Lessa, Elaine e outras três pessoas foram condenadas a quatro anos de prisão pelo crime de obstrução de justiça, por atrapalhar as investigações do Caso Marielle com o sumiço das armas.
Na sentença, o juiz manteve a prisão apenas de Ronnie Lessa. Elaine e os outros condenados conseguiram o direito de recorrer em liberdade.
Com isso, a mulher de Lessa deixou a prisão segunda-feira à noite. Mas a liberdade durou pouco. Agora, a Polícia Federal cumpriu o novo mandado de prisão contra ela, por tráfico internacional de armas.

Fonte: https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2021/07/27/justica-nega-liberdade-a-mulher-de-ronnie-lessa-presa-no-rio-por-trafico-internacional-de-armas.ghtml
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