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28/08/2021 às 20h47min - Atualizada em 29/08/2021 às 00h00min

Mergulhadores inspecionam cascos de navios que vão para Europa e África, destinos da cocaína que sai de Paranaguá

Método é um dos quais traficantes estão usando para o transporte da droga depois que a Receita Federal apertou a fiscalização em terra.

G1 - Norte, Nordeste PR
https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2021/08/28/mergulhadores-inspecionam-cascos-de-navios-que-vao-para-europa-e-africa-destinos-da-cocaina-que-sai-de-paranagua.ghtml

Método é um dos quais traficantes estão usando para o transporte da droga depois que a Receita Federal apertou a fiscalização em terra. Traficantes usam mergulhadores para esconder drogas em navios no Porto de Paranaguá
Mergulhadores inspecionaram nesta semana cascos de navios que vão para Europa e África, principais destinos da cocaína que sai do Porto de Paranaguá, no litoral do Paraná. Eles procuraram a droga escondida em um compartimento que fica submerso.
Dessa vez, nada foi encontrado. Mas, no começo do mês, no Porto de Santos, essa mesma equipe de mergulhadores achou 328 quilos de cocaína escondidos em um navio que ia para a Nigéria.
"Novos métodos, novos locais, e a gente vai sempre correndo atrás, tentando achar onde é que eles tão tentando levar a droga", disse Gerson Faucz, delegado-adjunto da Receita.
Esse esquema foi revelado por um dos chefes da quadrilha que age em Paranaguá. Jorge Santos Zela, o "Zóio", tem 37 anos e foi preso pela Polícia Federal (PF) na Operação Enterprise em novembro do ano passado, por tráfico internacional de drogas.
A RPC teve acesso à delação de Jorge Zela, fechada com o Ministério Público e a Polícia Federal e homologada pela Justiça Federal.
No depoimento, ele contou que a quadrilha investigada por exportar toneladas de cocaína pelo Porto de Paranaguá recrutava caminhoneiros e funcionários do terminal de contêineres para mandar a droga para fora do país.
A cocaína saía de vários fornecedores da Colômbia, Peru, Bolívia e Paraguai, entrava no Brasil em aviões que pousavam nas fazendas da quadrilha e depois era transportada em vans e caminhões para vários portos do Brasil.
No depoimento, Zela explicou que a droga chegava a Paranaguá escoltada.
"Essa droga vinha de São Paulo geralmente, em vans e sprinters com carroceria. E esse pessoal vinha junto abatendo até chegar em Paranaguá. Eles me avisam antes de chegar aqui, o horário que eles iam chegar e eu marcava um local na entrada da cidade para cruzar com eles na BR e ir guiando eles até o lugar para descarregar", disse Zela.
Porto de Paranaguá, no litoral do Paraná
Reprodução/RPC
Segundo ele, para levar a cocaína para dentro do terminal de contêineres a quadrilha recruta caminhoneiros que transportam produtos para exportação. A missão é entrar e esconder a droga dentro dos contêineres - o que a quadrilha chama de "contaminação".
"O [suspeito] colocou na cabine e foi em direção ao porto e, assim, lá dentro do porto tinha um pessoal já pronto para ajudar a contaminar né?", comentou Zela.
Esse "pessoal" a que Zela se refere são trabalhadores do terminal de contêineres, também a serviço do tráfico. De acordo com ele, um ex-funcionário do terminal foi recrutado pela quadrilha e montou uma equipe lá dentro.
"Ele tinha três pessoas cada turno, né? Tem quatro turnos no dia, mais ou menos umas 12 pessoas", revelou o delator.
Para a PF, Zela disse que o major informa antes para que país a droga deve ser exportada e aí a equipe procura um contêiner com o mesmo destino.
"E o pessoal já se posicionava para contaminar o contêiner, da mesma forma, chegando do lado da pilha, abrindo a porta do motorista e colocando o material nos três funcionários e os três funcionários contaminando".
O delator disse que a quadrilha mandava, pelo menos, um carregamento de cocaína por mês desse jeito. Contudo, a Receita Federal descobriu o esquema e passou a fazer apreensões seguidas de droga no porto. Os traficantes, então, foram obrigados a mudar de tática.
Para tentar escapar da fiscalização, eles passaram a esconder os pacotes de cocaína no sistema de refrigeração dos contêineres, também com ajuda de trabalhadores do terminal.
"Trabalham para a própria TCP. A gente usava eles de dia para verificar espaço, abrir o contêiner, ver se tinha espaço para colocar dentro e efetuava, geralmente, um dia antes ou uma hora antes do navio", contou Zela.
Porto de Paranaguá, no litoral do Paraná
Reprodução/RPC
A quadrilha exigia um comprovante de cada remessa.
"Eram funcionários [que lacravam o contêiner]. Eles colocavam material e tiravam foto. No começo faziam vídeo, depois só foto, e fechavam, lacravam e tiravam foto com o lacre novo", relatou Zela.
Parte do esquema ruiu em novembro do ano passado, na Operação Enterprise. A PF prendeu Jorge Zela e mais 39 pessoas suspeitas de tráfico internacional.
Além disso, também foram apreendidos carros e aviões, e a Justiça determinou o bloqueio de R$ 400 milhões em bens dos traficantes.
Desde essa operação, a Receita Federal fez mais 16 apreensões no Porto de Paranaguá, que somam mais de duas toneladas e meia de cocaína.
"Esse pessoal acaba sendo substituído. Você prende um, aparece outro e assim vai. Por isso que a gente tenta trabalhar em uns grupos maiores. A gente imagina que a estrutura do major ainda esteja atuando. Certamente o que se mostra eficaz nesse sentido é a desarticulação financeira das quadrilhas. Esse sempre é um norte da PF de identificar questão de valores, patrimônio, para que eles sejam apreendidos e essas quadrilhas percam a sua capacidade de atuação", afirmou Sergio Luis Stinglin de Oliveira, delegado da PF.
Com esse prejuízo, a quadrilha mudou de tática e passou a despachar quantidades menores de cocaína dentro do sistema do refrigeração dos contêineres, mas os scanners também denunciaram o esquema.
Por isso, a Receita Federal acredita que as quadrilhas já estão atrás de uma outra saída.
O outro lado
A empresa que administra o terminal de contêineres em Paranaguá, Terminal de Contêineres Paranaguá (TCP), informou que observa todos os protocolos de segurança estabelecidos pelos órgãos competentes e que se colocou à disposição das autoridades para colaborar com as investigações.
A RPC não conseguiu contato com a defesa de Sérgio Roberto de Carvalho.
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Fonte: https://g1.globo.com/pr/parana/noticia/2021/08/28/mergulhadores-inspecionam-cascos-de-navios-que-vao-para-europa-e-africa-destinos-da-cocaina-que-sai-de-paranagua.ghtml
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