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24/06/2021 às 20h41min - Atualizada em 24/06/2021 às 20h38min

A quem escutar na crise?

O termo pânico surgiu do deus grego Pã que era temido por aqueles que tinham que atravessar as florestas à noite, pelo medo de serem surpreendidos por ele.
            O tempo passou e surgiu o termo epidemia para designar doença em determinada região, que em escala global chama-se pandemia.
            A história registrou as seguintes: a peste do Egito (430 a.C.); a peste Antonina (165-180); a peste de Cipriano (250-271); a peste de Justiniano (541); a peste Negra (1300); a gripe Espanhola (1918-1920); a Gripe Suína (2009-2010), e a pandemia da Covid-19 (2019).
            Tais pestes vitimaram milhões de pessoas e liquidaram com reis e até impérios.
            A história comprova que os poderosos sempre negaram as crises, diziam não se tratar de algo grave, tentavam reduzir seus efeitos para atrair seguidores dessa negação.
            O que dizer dos mais de quinhentos mil mortos no Brasil que, segundo projeções científicas, pode chegar a um milhão?
A perda de vidas não pode ser negada.
            Por outro lado, os termos impeachment e crimes de responsabilidade despareceram do vocabulário do Congresso Nacional. As emendas parlamentares bilionárias distribuídas pelo Poder Executivo federal aos deputados federais e aos senadores aliados garantiram esse silêncio.
            Políticos experientes afirmam que o povo tem memória curta e sempre se esquece das tragédias ou malfeitos.
Será?
            Mas quem afinal pode dar uma resposta para tamanha crise na história brasileira?
O romancista norte-americano Ralph Ellison no livro Homem Invisível, tem a resposta: “Na crise quem diz a verdade são os mortos.”
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Cláudio Henrique de Castro

Cláudio Henrique de Castro

Cláudio Henrique de Castro, advogado e Professor de Direito.

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