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28/06/2021 às 11h29min - Atualizada em 28/06/2021 às 11h28min

O grande negócio do futebol

O futebol, na essência, deveria ser do povo brasileiro, pois é um patrimônio cultural.
Não pode ser de entidades como a Confederação Brasileira de Futebol - CBF ou da sua multinacional a FIFA.
Um negócio milionário que junta cartolas e as redes de comunicação que tem detém os cartórios das transmissões dos jogos.
              Ninguém presta contas de nada, nem os times de futebol, nem os empresários de jogadores, nem os meios de comunicação, nem a CBF, nem tão pouco as federações.
              O negócio do futebol está fora dos controles fiscais do Estado e do povo.
              Possui até justiça desportiva própria que funciona com normas super elásticas, cujos juízes são nomeados pelas capitanias hereditárias das federações. Também possui uma arbitragem semiprofissional e dependente que funciona por indicações.
Ir a um estádio de futebol tornou-se uma diversão para poucos.
O fim das arquibancadas populares e das gerais no Maracanã são a demonstração da expulsão do povo dos estádios.
O golpe de misericórdia foi a Copa do Mundo do sete a um, que mostrou o poder sem limites da FIFA, que mamou e desmamou, que mandou e desmandou no Brasil.
Será que não é hora de refundar o futebol e acabar com essa estrutura de negócios totalmente atrasada e cartorial?
Repensar esse modelo, repleto de privilégios associativos, no qual quem perde são: os torcedores; os jogadores; os times de futebol e o povo brasileiro?
Porque não se inspirar no modelo das ligas esportivas norte-americanas ou europeias?
Temos uma estrutura que arrecada milhões, mas que possui times superendividados e que boa parte dos jogadores são assalariados.
Somos o berçário das ligas europeias e asiáticas, nossos craques infanto juvenis são exportados para os países que possuem um modelo mais justo e profissional.
Não temos um esquema jurídico esportivo que favoreça o profissionalismo, a distribuição igualitária dos recursos dos campeonatos ou, minimamente, a transparência das prestações de contas e das arrecadações.
              As listas dos escândalos dos dirigentes da CDB e da FIFA confirmam esse atraso histórico.
              Precisamos que o Congresso Nacional elabore uma nova modelagem acabando com praticamente tudo que temos, que refunde o futebol brasileiro, consultando os times, os torcedores, os representantes dos segmentos profissionais envolvidos e o povo que não pode mais ir aos estádios.
Mas será que a poderosa bancada da bola que reina no Congresso Nacional, composta de deputados federais e senadores, deixaria isso acontecer?
Até quando o futebol brasileiro ficará nas mãos desses poucos privilegiados e impunes?
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Cláudio Henrique de Castro

Cláudio Henrique de Castro

Cláudio Henrique de Castro, advogado e Professor de Direito.

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