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23/07/2020 às 11h11min - Atualizada em 23/07/2020 às 11h08min

VITÓRIA DO FUNDEB, MAS É PRECISO MAIS PARA GARANTIR EDUCAÇÃO DE QUALIDADE

                Nos últimos dias vivenciamos muita alegria pela aprovação, na Câmara dos Deputados, da proposta que tornou permanente o FUNDEB. Evidentemente, a notícia nos enche de satisfação, mas é inegável a necessidade de se explorarem aqui outros elementos que podem contribuir ainda mais para aprimorar a eficiência em seara da educação. Entre os elementos para melhor enfrentar os desafios, destaquem-se: valorização do professor; formação inicial sólida dos professores; gestão adequada dos recursos da educação; comprometimento dos pais no acompanhamento da educação dos seus filhos.
              A valorização do professor se destaca como um elemento de porte no conjunto de se obter mais qualidade em se tratando de educação. No Paraná, tivemos o massacre dos professores no dia 29 de abril de 2015, quando professores questionavam o confisco da previdência. Não queremos nos estender sobre o assunto, mas apenas demonstrar como os professores têm sido tratados de forma desonrosa e não apenas pelo salário, mas pela depreciação, pela desmoralização da classe, pela desvalorização social a que governantes expõem a classe desses valorosos profissionais. Em muitos estados da Federação, professores não recebem nem mesmo a reposição da inflação nos últimos anos, o que não seria sequer uma forma de aumento de salário, mas apenas reposição do salário que a inflação corrói. Infelizmente, é um fenômeno quase mundial a desvalorização da profissão professor.
            Outra questão é a banalização da formação de professores. Nada contra educação a distância, mas há muitos cursos, principalmente de segunda licenciatura, que se apresentam mais como uma venda de diploma do que uma preparação sólida para a formação de professores. Precisamos aproveitar das tecnologias para formar professores, mas cursos aligeirados que privilegiam exclusivamente o lucro pelas corporações capitalistas de educação predominam por todas as esferas. É importante destacar que é urgente a instalação de novas diretrizes para formação de professores, mas com determinações que considerem o universo tecnológico em que estamos vivendo. Reforçamos que a educação a distância é uma relevante contribuição para a formação de professores, mas, assim como no ensino presencial, é preciso buscar qualidade dos cursos e superar a visão de uma formação aligeirada, como foi sugerida por uma propaganda divulgada recentemente por um grande grupo educacional de que faça um curso de professor para ter uma renda extra nas horas livres, nivelando-se um curso de professor, tão denso de significados por tratar com material humano por excelência a qual quer curso superficial, sem a responsabilidade que o magistério impõe. Indubitavelmente, o estágio supervisionado é de fundamental importância na formação dos futuros professores; no atual cenário, por vezes, é considerado como uma exigência burocrática para se finalizar um curso de licenciatura.
               Um outro aspecto com relação à educação é a gestão dos recursos. Desde as altas estruturas até o gestor das escolas, é importante aprimorar a formação dos gestores para garantir que os recursos sejam aproveitados da melhor maneira possível. Acreditamos que capacitar os gestores para agir é de fundamental importância para garantir uma educação de qualidade, assim como investimentos na melhoria das estruturas materiais das instituições de ensino.
Por fim, uma parceria entre instituição escolar e pais e responsáveis, cuja contribuição é indispensável no processo ensino-aprendizagem. Na minha experiência como professor da educação básica, tenho percebido que a coordenação pedagógica por vezes tenta de todas as formas pedir a colaboração de alguns pais no processo de educação dos filhos,  mas os responsáveis comportam-se como se nada tivessem a ver com o processo de aprendizagem dos filho. Delegam, parece-nos, aos professores a completa missão de educar e formar, embora, após o processo, possam vangloriar-se da formação de que jamais participaram.  Evidentemente, há pais que são verdadeiros parceiros do processo de aprendizagem dos filhos. Isso não quer dizer que os pais tenham que ter conhecimento das matérias que estão sendo estudadas, mas que tenham interesse em saber como os filhos estão se organizando com suas atividades, participar das reuniões de pais do colégio, procurar acompanhar as notas dos filhos.
                    Em outros artigos, podemos realizar outras reflexões para debater a necessidade de buscar uma educação de qualidade para a sociedade brasileira de formar cidadãos conscientes, eficientes e responsáveis. Nesse contexto, mais uma vez as eleições se aproximam e é o momento de elegermos com consciência aqueles líderes políticos que tiverem demonstrado, pela sua vida como político, um interesse pelas questões educacionais. Enfim, procuramos destacar que a qualidade da educação depende, sim, de investimentos, mas é uma questão complexa que exige responsabilidade e visão em relação à formação e sucesso dos futuros cidadãos.
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Fábio Antonio Gabriel

Fábio Antonio Gabriel

Doutor e mestre em Educação pela UEPG. Licenciado em Filosofia e Bacharel em Teologia pela PUCPR.

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